sexta, 20 de julho de 2018

demanda aquecida

Preço de carros novos começa a disparar

17 OUT 2010Por Alessandra Saraiva (AE)07h:46



A época de promoções nas montadoras, que reduziram por meses os preços dos carros por conta do benefício fiscal de menor Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), parece ter chegado ao fim. Levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) a pedido da Agência Estado mostra que a inflação no varejo de automóveis novos acumula alta de 4,94%, a mais intensa para um mês de setembro desde 2005, quando subiu 10,57%.
Desde julho deste ano, a inflação do carro novo tem atingido mensalmente taxas próximas a 5%, acima da inflação média varejista acumulada em 12 meses, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que oscilou próxima a 4% nos últimos três meses. O mesmo levantamento mostra que, nos meses de julho e agosto, a inflação acumulada em 12 meses dos automóveis novos no varejo atingiu taxas de 5,05% e de 5,41% respectivamente, as duas maiores elevações mensais do ano.
Responsável pelo levantamento, o economista da fundação André Braz, comentou que os preços elevados nos automóveis novos no varejo não refletem unicamente o desejo das montadoras por angariar maior volume de margens de lucro. “Não acho que seja só isso. Creio que este cenário representa uma demanda contínua por parte do consumidor, que está sendo atendida devido às facilidades na oferta de crédito”, afirmou.
Segundo Braz, atualmente ocorre uma expansão na disponibilidade de crédito a longo prazo, modalidade que se encaixa no tipo de compra de maior valor agregado, que é a do automóvel novo. “Por conta desta facilidade na obtenção de crédito, o consumidor pode até estar já endividado, por conta de antecipações de compras efetuadas na época da vigência da redução do IPI para bens duráveis; mas mesmo assim não resiste e compra, devido às facilidades de quantidades de parcelas e de pagamento no crédito”, ponderou.
Outro fator citado pelo economista que facilita a decisão do consumidor de obtenção de um crédito a longo prazo, como o de uma compra de um carro novo, é o atual bom momento no mercado de trabalho. “A economia aquecida melhora o mercado de trabalho, e em um cenário de longo prazo, onde o consumidor sabe que vai ter emprego por um tempo, é mais fácil se comprometer com um crédito mais longo.”

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