quinta, 19 de julho de 2018

Preço de alimentos têm queda de 60% com a oferta da safra

13 JUN 2009Por 18h:00
     Da redação  No fim do ano passado, o agricultor Tamoto Chayamiti, de Capão Bonito, no sudoeste do Estado de São Paulo, vendeu a saca de 60 quilos de feijão carioquinha por R$ 160. Na semana passada, ele entregou o último lote colhido na safra da seca por R$ 65 a saca. O produtor não entendia a razão da queda de 60% no preço do grão em tão pouco tempo. "O pior é que o custo de produção aumentou", disse ele.
        O feijão não foi o único produto cujo preço caiu recentemente. Em maio, em razão da grande oferta - por causa da colheita do fim de safra no Sul, o arroz foi negociado por um preço 6% abaixo do seu pico neste ano.
        Para o engenheiro agrônomo Vandir Daniel da Silva, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, a razão é simples: o feijão (como o arroz) é uma cultura doméstica e os preços são regidos pelo movimento de oferta e procura, por isso sofrem o chamado efeito gangorra. "Quando o preço está alto, todo mundo planta e ele despenca."
        O técnico lembra que, em 2007, a saca chegou a ser vendida por R$ 300 na região. Foi o que bastou para que todo agricultor reservasse um pedaço de terra para essa cultura. "Como o mercado todo é interno, hoje está sobrando feijão."
        A abundância do grão refletiu no comércio. Consumidores que há dois anos chegaram a pagar R$ 8 pelo quilo de feijão da melhor qualidade encontravam o produto por R$ 2,70 nos supermercados. A safra paulista do ano passado foi de 169,2 mil hectares, 10 mil hectares a mais que a anterior, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA) da secretaria. A produção, de 5,2 milhões de sacas de 60 quilos, cresceu 12% em relação a 2007.
        No sudoeste de São Paulo, que responde por mais de 60% da cultura no Estado, agricultores que plantaram a safra da seca, a primeira do ano, tiveram prejuízos. Chayamiti calculava uma perda, por baixo, de R$ 15 por saca. "O clima não ajudou, houve infestação de pragas e a produtividade ficou muito abaixo da esperada", disse.
        De acordo com o agrônomo da secretaria, a cultura sofreu com a seca e foi atacada pela mosca branca. Para complicar, o mercado paulista foi inundado pelo feijão de outras regiões produtoras que tiveram supersafras. "Estamos recebendo de Irecê, no oeste da Bahia, Unaí, em Minas Gerais, e de Cristalina, em Goiás", disse Everaldo Fagundes, corretor da Zona Cerealista de São Paulo. (informações da Agência Estado)
        

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