terça, 17 de julho de 2018

INTERNACIONAL

Povoado é evacuado por risco de novo vazamento de lama tóxica na Hungria

9 OUT 2010Por zero hora22h:37

Os 800 habitantes do pequeno povoado de Kolontar, próximo a uma fábrica de alumínio que causou um catastrófico vazamento de lama tóxica há cinco dias, foram retirados às pressas neste sábado, depois de encontrada outra fissura no dique que retém os resíduos. As autoridades temem que haja um novo vazamento.

A rachadura poderia levar a uma "provável" segunda inundação da lama vermelha altamente tóxica, que matou sete pessoas e deixou 150 feridos no pior desastre ambiental da Europa em 30 anos, advertiu o primeiro-ministro húngaro Viktor Orban.

As autoridade húngaras ordenaram a evacuação completa do povoado de Kolontar, e já se preparam, caso seja necessário, para fazer o mesmo com a pequena localidade vizinha de Devecser, de 5,4 mil habitantes, indicou Tibor Dobson, chefe do serviço de prevenção de catástrofes:

— Estamos preparados para evitar o pior, e podemos salvar os moradores de Devecser em caso de novo vazamento — disse Orban em Ajka, para onde foi levada a população de Kolontar.

— A evacuação de Kolontar foi necessária, pois uma nova inundação pode derramar mais 500 mil metros cúbicos de lama vermelha sobre a cidade — afirmou.

O chefe do governo também mencionou as consequências jurídicas para os responsáveis pela catástrofe ambiental, a pior da história da Hungria.

 

Orban disse que um fundo de ajuda será criado para auxiliar as vítimas, e que para isso recorrerá ao político americano de origem húngara George Pataki.

Os habitantes de Kolontar poderão optar, explicou, entre instalar-se em outras cidades ou em casas que seriam construídas em outra parte do povoado. Enquanto isso, o depósito número 10 da usina de alumínio de Ajka, 160 km a oeste de Budapeste, ameaçava entrar em colapso devido a uma nova fissura no dique.

— A evacuação de Kolontar foi iniciada às 6h (3h em Brasília), depois de constatarmos a fragilização do dique do depósito número 10 — explicou Dobson.

Para proteger Kolontar, especialistas sugeriram a construção de uma nova represa com terra e pedras. Ela mediria entre quatro e cinco metros de altura por 400 metros de comprimento, cortando o povoado em dois para que as casas que se salvaram do primeiro vazamento não sejam afetadas caso o dique se rompa.

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A construção da represa começou neste sábado, e a previsão é de que fique pronta dentro de 48 horas. As amostras de água obtidas na sexta-feira no Rio Danúbio, um dos mais importantes da Europa, revelaram uma redução no nível de contaminação, com níveis de alcalinidade próximos ao normal.

Na tarde deste sábado, o serviço de abastecimento de águas confirmou a tendência com um nível de pH inferior a 8,3 no rio Marcal, um dos atingidos pelos poluentes, contra os 8,5 aferidos anteriormente, em uma escala de 14 cujo patamar normal é oito. Para as organizações ecologistas Greenpeace e WWF, no entanto, a ameaça é real.

Os países cortados pelo curso do Danúbio ao sul da Hungria, em particular Eslováquia, Sérvia e Romênia, monitoram regularmente a qualidade da água do rio desde terça-feira.

No dia 4 de outubro, uma enxurrada de lama vermelha extremamente tóxica que escapou de um dos depósitos da usina, explorada pelo grupo húngaro MAL, inundou uma superfície de 40 km², destruindo o ecossistema dos rios Torna e Marcal, chegando até o Raab, afluente do Danúbio, e atingindo o próprio. Segundo as últimas estimativas dos especialistas, entre 600 mil e 700 mil metros cúbicos de lama tóxica foram derramados, pouco menos que a quantidade de petróleo que vazou na maré negra que atingiu o Golfo do México depois do acidente com uma plataforma de petróleo.
 

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