Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

Porta arrombada

20 ABR 10 - 20h:47
A  reparação dos estragos provocados pelas chuvas em Campo Grande ainda estão longe de acabar, como não deixa dúvida a cratera na Rua Ceará e na Avenida Ricardo Brandão, e a população da Capital já passa a enfrentar os problemas da estação seguinte, geralmente mais silenciosos, mas que afetam número de moradores bem superior ao das enxurradas. Trata-se do efeito das queimadas em meio ao período de estiagem. Bastaram três semanas sem chuva e baixa umidade do ar para que os incêndios em terrenos baldios tivessem início. E, pelo fato de no ano passado a estiagem ter sido quase inexistente, a tendência é que neste ano o fogo e a fumaça sejam mais intensos, pois há acúmulo de material de combustão.

 Diversos órgãos públicos, que estão criando uma espécie de força-tarefa, prometem ser rigorosos no combate aos incêndios, principalmente aplicando multas a propriedades nas quais forem constatados focos de queimada. Multa, embora seja uma das armas necessárias, só é aplicada quando o dano já foi provocado. Mesmo assim, ela ajuda a intimidar novas ocorrências. Porém, é sabido que grande parte das queimadas tem autoria desconhecida, pois são vizinhos que, incomodados com o mato que cresce nos terrenos baldios, apelam à saída mais rápida e simples.

            Conforme especialistas em doenças tropicais, é nestas mesmas áreas sem edificações que  se concentram os maiores focos de proliferação do mosquito transmissor da dengue, doença que neste ano “derrubou” em torno de 30 mil campo-grandenses e matou pelo menos oito. Ou seja, estas áreas são problema de saúde pública praticamente o ano inteiro. Por isso, é estranho que somente nesta época seja criado grupo especial para coibir abusos. Se os órgãos públicos fossem eficazes para exigir o devido cuidado ao longo do ano todo,  os efeitos nos postos de saúde seriam perceptíveis também ao longo dos 12 meses do ano.

            Está mais do que claro que a manutenção das áreas particulares depende, principalmente, do grau de consciência de seus donos. Por isso, as autoridades têm razão quando atribuem a responsabilidade aos proprietários desleixados. Porém, a irresponsabilidade de alguns acaba prejudicando um sem-número de cidadãos que cumprem religiosamente com seus deveres. Por isso, cabe ao poder público o dever de colocar estes irresponsáveis nos eixos. Há quase dois anos foi instituído na Capital o IPTU progressivo, que prevê a cobrança de pesados impostos sobre terrenos baldios e imóveis abandonados. Inicialmente a cobrança começaria pela área mais central e mais adiante seria estendida à periferia. Porém, até agora esta cobrança não saiu do papel e ninguém sabe quando isto acontecerá.
           
Além disso, milhares e milhares de casas estão sendo construídas em conjuntos habitacionais feitos pelo poder público em terrenos afastados da região central. Com isso, enormes vazios urbanos surgem entre a área central e esses novos residenciais. E, são nesses vazios que surgem as queimadas e os criadouros de mosquitos que transmitem dengue, leishmaniose e outras doenças.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também

Mato Grosso do Sul lidera ranking de aumento de queimadas no País
DADOS DE SATÉLITE

MS lidera ranking de aumento de queimadas no País

Com salário de até R$ 26 mil, concurso atrai candidatos de todo o Brasil
RECORDE DE INSCRITOS

Com salário de até R$ 26 mil, concurso da Saúde atrai candidatos de todo o Brasil

DESABAFO

'O vício faz parte dos buracos que a gente tem na alma', declara Fábio Assunção

Carro capota às margens <br>de estrada e motorista morre
ACIDENTE

Carro capota às margens de estrada e motorista morre

Mais Lidas