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Campo Grande - MS, quarta, 24 de outubro de 2018

Por radiotelemetria, jacarés são avaliados

10 MAI 2010Por 05h:46
Para acompanhar o comportamento de jacarés no Pantanal e em seu entorno, a Embrapa Pantanal tem utilizado a técnica da radiotelemetria. Trata-se do implante de um radiotransmissor dentro da membrana que reveste internamente o abdômen do animal.

A pesquisadora Zilca Campos, responsável pelos estudos, explicou que os jacarés são animais ectotérmicos, isto é, a temperatura corporal é controlada pelo ambiente. “Nós buscamos conhecer sua temperatura corporal e as relações com as temperaturas do ar e da água e o comportamento. Esse conhecimento ajudará a entender sua biologia e como eles se relacionam com o ambiente em que vivem”, disse ela.

No momento, um jacaré adulto da espécie Paleosuchus palpebrosus está sendo monitorado na região da Serra do Urucum, no entorno do Pantanal. Mas de 1989 a 1999, a Embrapa Pantanal já acompanhou 51 jacarés, Caiman crocodilus yacare, na região central do Pantanal, com o objetivo de determinar taxa de dispersão e comportamento de termorregulação.
”Em breve, novos indivíduos, jovens e adultos, serão monitorados com a técnica de radiotelemetria”, disse Zilca.

Indicadores
Segundo ela, a temperatura corporal alta, em dias de verão, influencia no comportamento de alimentação, movimentação, reprodução, etc. “Em dias mais frios, os jacarés precisam se aquecer pelo comportamento de exposição ao sol, para elevar sua temperatura acima da temperatura da água”, explicou.
O animal também pode permanecer imóvel, em buracos ou folhagens, esperando as temperaturas subirem.
Esse tipo de estudo já foi feito com o jacaré-do-pantanal e recentemente vem sendo realizado com o jacaré-paguá, que vive no entorno do Pantanal em pequenos riachos e cabeceiras de rios que drenam o Pantanal.

“Aparentemente, eles suportam temperaturas mais baixas do que os jacarés do Pantanal, muito em função das características do ambiente de águas mais frias e correntes”, disse Zilca.

A técnica de radiotelemetria é usada para obter informações necessárias para conservar e manejar as espécies e também permite elucidar e revelar segredos da história de vida dos animais.

A experiência com o uso da técnica permitiu concluir que o movimento tem um papel importante na vida dos jacarés. O movimento diurno pode ser para termorregular, e em longo prazo para dispersar entre habitáts. “É possível também entender seu comportamento de estivação, quando o animal adota a estratégia de entocar em período de estresse hídrico, e em resposta a distúrbio no seu ambiente”, explicou. O estudo também alerta para as ameaças antrópicas nos habitáts dos jacarés, principalmente no entorno do Pantanal, que poderá refletir no estado de conservação das espécies.
Esse estudo recebe apoio financeiro do CNPq, Fundect, Fundação O Boticário e da Embrapa Pantanal.

Implante
Para implantar o radiotransmissor nos jacarés é feita uma cirurgia por veterinários adotando a técnica de resfriamento, isto é, abaixando a temperatura corporal do animal, em torno de 19ºC. Para isso, o jacaré adulto é colocado dentro do freezer por uma hora e depois recebe uma dose de anestésico local para, então, proceder a cirurgia. Todo o procedimento é feito dentro da ética e respeito pelos animais, para que ele não sinta dor e não tenha sofrimento.
“A técnica que estamos usando é a  tradicional, na qual o sinal do rádio é captado pelo receptor acoplado em uma antena direcional”, afirmou.  Segundo ela, a Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, tem adotado outras técnicas de avaliação do estado da população de jacarés, distribuição e abundância, usando contagens noturnas em trechos de rios da BAP (Bacia do Alto Paraguai) e  contagens aéreas de ultraleve em fazendas e utilizando avião em escala de Pantanal.
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