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Por que a mídia não deu ?

2 AGO 10 - 06h:55
Uma vez por ano, geralmente na época da colheita de grãos entre janeiro e março, a mídia nacional “descobre” e se espanta com a excelência do agronegócio brasileiro.
Imagens de produtores rurais pilotando suas potentes colheitadeiras, filas de caminhões carregados de soja nos portos e silos lotados de grãos ganham as capas de revistas e as primeiras páginas dos jornais das grandes capitais do País, com manchetes efusivas: “A força do campo’’, “Revolução verde, “Colheita farta”.
Depois disso, as notícias do campo simplesmente desaparecem ou ficam confinadas às páginas dos suplementos agrícolas até a próxima supersafra. Ou quando um assunto extraordinário, caso do Código Florestal recentemente, incendeia o noticiário, geralmente para comprovar que o produtor rural não passa de um desmatador contumaz e não sabe preservar a sua própria terra.
A verdade é que o Brasil sempre deu as costas ao seu interior. A grande imprensa, por desconhecimento ou preconceito, sempre tratou o setor rural de forma maniqueísta. Anos atrás, o agricultor era taxado de caloteiro e chorão. Hoje, embora já se admita sua competência, o agricultor se transformou na mídia em inimigo número 1 do meio ambiente.
Poucos jornalistas conhecem iniciativas como a Moratória da Soja, que há quatro anos vem unindo indústrias, produtores de soja e ambientalistas no compromisso de não comercializar nenhuma soja oriunda de áreas que forem desflorestadas dentro do Bioma Amazônia, a partir de julho de 2006. Contratos semelhantes já foram assinados entre pecuaristas e frigoríficos na região da Amazônia.
Na verdade, os agricultores só desejam regras claras e factíveis e uma legislação segura para que possam exercer sem risco suas atividades rurais. Afinal, são os próprios produtores que mantêm uma relação diária com o ambiente e tratam e preservam os recursos naturais, cuidando dos mananciais, combatem o assoreamento e preservam as matas ciliares.
No plano econômico, os resultados da mudança de atitude dos agricultores, cada vez mais empresarial, são uma sucessão de recordes. Depois de colher a maior safra da história do País, o agronegócio vem recuperando neste primeiro semestre o seu nível de exportações, superando a crise global.
Boa parte desse sucesso se deve à pesquisa agrícola. Universidades como a de Viçosa (MG) e a Luiz de Queiróz (SP) e instituições como a Embrapa e o Instituto Agronômico de Campinas desenvolveram uma tecnologia agrícola tropical, que gerou elevados ganhos de produtividade e possibilitou a conquista dos cerrados.
Na pecuária, a evolução da pesquisa genética permite hoje que uma vaca, por meio de técnicas como transferência de embriões e fertilização in vitro, produza até 50 bezerros por ano. E a excelência dos cientistas brasileiros começa a ser reconhecida mundialmente na pesquisa genômica.
Tudo isto aconteceu e continua a acontecer por aqui: nos chapadões do Centro-Oeste, no Norte do Paraná, nos pampas gaúchos, no interior de São Paulo, nos sertões do Brasil.
Mas muita gente ainda se espanta porque a mídia não deu. Até quando?

*Carlo Lovatelli, presidente da ABAG – Associação Brasileira de Agribusiness
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