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Campo Grande - MS, segunda, 19 de novembro de 2018

Políticas públicas devem estimular maior acesso dos pais no cuidado dos filhos, dizem especialistas

9 AGO 2010Por 02h:00
     Os homens deveriam poder acompanhar mais seus filhos recém-nascidos nos serviços de saúde. Quem alerta são mulheres especialistas nas questões de gênero e de família ouvidas pela Agência Brasil. Na opinião delas, é limitado o acesso dos pais no atendimento pré-natal e nos cuidados com os recém-nascidos na rede hospitalar.

        ?Por que os serviços de saúde não trazem os homens mais para perto??, indaga Inês Hennigen, professora do programa de pós-graduação em Psicologia Social e Institucional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Segundo ela, docentes e diretores aceitam, comparativamente mais, a presença cotidiana dos pais na escola do que médicos e atendentes nos hospitais.

        A gerente de projetos da Secretaria de Políticas das Mulheres, Luana Pinheiro, assinala que os pais, no Brasil, já deveriam gozar de um prazo maior de licença-paternidade (hoje, de cinco dias) para cuidar dos bebês, ou até mesmo poder alternar a licença com a mãe (licença parental). ?O problema é a estrutura que reproduz comportamentos que já não cabem nos modelos não tradicionais de família que temos agora?, constata.

        ?Isso acontece porque esse padrão tradicional está consolidado. A sociedade ainda reconhece o papel do pai ainda muito distante dos filhos?, acrescenta Malu Moura, do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e do Conselho Federal de Psicologia. ?As mulheres também têm que envolver mais os pais nos cuidados com os filhos. E os pais devem assumir mais tarefas?, recomenda.

        ?Ter dois é melhor do que um?, contabiliza a professora Inês Hennigen, para quem os pais, como as mães, servem de ?referência, parâmetros ou possibilidades de manobra?. Segundo ela, as crianças são formadas a partir de ?diversas interfaces? e é positivo que ?os pais também sejam reconhecidos pelo carinho, acolhimento e capacidade de negociar?.

        Além da questão afetiva, o acesso dos pais ao cuidado dos filhos desde o pré-natal tornou-se uma necessidade para a sociedade. ?As relações sociais mudaram. Não temos uma economia que depende só dos homens?, lembrou a acadêmica.

        De acordo com os dados do IBGE, que constam da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar, o número de famílias em que as mulheres são chefes e que têm a presença dos pais aumentou de 2,4%, em 1998, para 9,1%, em 2008. Também aumentou mais recentemente o número de famílias monoparentais, em que o pai, exclusivamente, cuida dos filhos, de 2,1%, em 1993, para 3%, em 2007.

        Em maio desse ano, a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que aumenta a licença-paternidade para 15 dias. Além desse projeto, cerca de uma dezena de propostas tramitam no Congresso Nacional redefinindo o prazo da licença para o pai.

        No final do mês passado, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) promoveu um evento em Brasília onde defendeu-se uma mudança na legislação trabalhista para permitir que os pais cuidem mais dos filhos. ?Algumas políticas públicas e a legislação ainda tratam as mulheres como cuidadoras. É preciso reconhecer que homens e mulheres têm direitos iguais no mundo do trabalho e na relação familiar. O cuidado dos filhos não é apenas uma responsabilidade, mas um direito, que também é dos pais?, apontou a diretora da OIT no Brasil, Laís Abramo.

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