Sexta, 19 de Janeiro de 2018

Polícia ocupa favelas no Rio e cerca lideranças do Comando Vermelho

2 MAI 2010Por 15h:30
     

        Da redação

        A estratégia de ocupar favelas cariocas com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) encurralou as lideranças do Comando Vermelho - a maior facção criminosa do tráfico de drogas - nos Complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio, onde a instalação de UPPs está descartada para este ano. Com a circulação restrita, chefes do tráfico já não se entendem sobre as regras adotadas nas favelas. A possibilidade de uma guerra entre bandos da mesma quadrilha já preocupa as autoridades.
        "Estamos realizando um trabalho intenso de asfixia no entorno dessas favelas para evitar movimentação dos criminosos pela cidade e os crimes no asfalto", disse o comandante do 16º Batalhão de Polícia Militar de Olaria, Antônio Jorge Gonçalves.
        Os dois complexos são considerados regiões seguras para criminosos. No Alemão, obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) mantêm a polícia longe. Na Vila Cruzeiro, o poder de fogo da quadrilha cumpre o mesmo papel. "Operações de grande porte estão sendo evitadas. É necessário planejamento para impedir morte de policiais e inocentes, como trabalhadores do PAC", afirmou o comandante.
        Nos últimos meses, moradores de favela testemunharam a chegada de vários criminosos. Na quarta-feira, alguns traficantes do Morro do Borel, ocupado no mesmo dia pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope), abrigaram-se no Alemão. De acordo com o Serviço Reservado da Polícia Militar, o clima estava tenso nos dois complexos. De um lado, exilados pela UPP não acataram ordens dos líderes locais e iniciaram uma série de assaltos a carros e pedestres no entorno das favelas. Antes proibidos pelos traficantes, os roubos na região contrariaram o líder do tráfico no Alemão Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, e Fabiano Atanázio da Silva, o FB, chefe na Vila Cruzeiro.
        Mas os dois acabaram aceitando a situação por ordens da cúpula da facção. "Se as coisas continuarem dessa forma, antes da pacificação dessas favelas, a polícia vai entrar nos complexos para recolher os corpos da guerra entre eles", disse um oficial do Bope.
        Para piorar a situação dos criminosos, todas as tentativas de invasão do Comando Vermelho a morros dominados por outra facção falharam. Na última empreitada contra rivais do Morro do Urubu, o bonde - comboio de carros com traficantes armados - não conseguiu sequer deixar a Favela da Grota. Equipes do 16º Batalhão de Polícia Militar de Olaria rechaçaram o grupo em um intenso tiroteio nas ruas do bairro de Ramos. Na ocasião, um sargento da PM à paisana morreu vítima de bala perdida.
        Tradicional refúgio de assaltantes pelos inúmeros acessos a bairros da zona norte, o Alemão e a Penha foram o destino natural dos criminosos expulsos pela UPP. Escondidos em outras comunidades, eles acabam presos. Na quinta-feira, por exemplo, um dia após a ocupação do Bope, o gerente do tráfico no Morro do Borel, Assis Albano da Silva, o Ratinho, foi preso na casa da sogra.
        O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, disse que a ocupação dos complexos depende da formação de pelo menos mil homens para ocupar a área. "O Alemão e a Penha também estão nos planos e nós vamos chegar lá. No entanto, preciso de um número importante de policiais." (Do Estadão)

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