Sábado, 17 de Fevereiro de 2018

Polícia deve pedir prisão preventiva de Mizael nesta terça-feira

26 JUL 2010Por 22h:20
     

                O inquérito do caso Mércia Nakashima deverá ser entregue nesta terça-feira (27) ao Ministério Público de Guarulhos, na Grande São Paulo. Junto, seguirá um pedido de prisão preventiva para Mizael Bispo de Souza, ex-namorado da advogada e principal suspeito do crime. A defesa de Mizael informou que já esperava pelo indiciamento do cliente.
                As 1.500 páginas resumem 61 dias de investigação. Em um dos volumes estão as informações sigilosas: as ligações dos seis telefones do policial aposentado Mizael Bispo de Souza, dos celulares do vigilante Evandro Bezerra Silva e de Mércia Nakashima.

                A quebra de sigilo telefônico mostrou que Mizael e Evandro se falaram 16 vezes no dia 23 de maio. A primeira ligação foi às 10h04. Logo em seguida, Evandro e Mizael se encontraram perto da estrada que liga Guarulhos a Nazaré Paulista, ambas na Grande São Paulo.

                O celular de Evandro e o rastreador do carro de Mizael mostram que eles ficaram por meia hora naquele lugar. Os dois voltaram a se falar por telefone mais 15 vezes até o horário em que Mércia desapareceu. Para a polícia, os telefonemas colocam os suspeitos no local do crime.

                No último depoimento que prestou a polícia, Evandro Bezerra confirmou que Mizael ficou observando a casa da avó de Mércia no dia do crime. As declarações do vigia estão no inquérito que foi concluído nesta segunda-feira (26). Os laudos do Instituto de Criminalística (IC) ainda não ficaram prontos.

                 

                Inquérito concluído
                

                O delegado Antonio de Olim, que investiga a morte da advogada Mércia Nakashima, informou nesta segunda-feira (26) que na terça (27) entregará o inquérito do caso concluído ao Ministério Público em Guarulhos, na Grande São Paulo. Em seguida, o documento segue para a Justiça da cidade.

                Por telefone, Olim, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP),  falou apenas, pouco antes de 18h30, "estar concluindo" o inquérito e confirmou: "amanhã (terça), vou entregar". Mércia desapareceu no dia 23 de maio e seu corpo foi encontrado em uma represa do interior paulista no dia 11 de junho. De acordo com a investigação de Olim, a advogada foi morta pelo ex-namorado dela, o advogado e policial militar aposentado Mizael Bispo de Souza, com a ajuda do vigia Evandro Bezerra Silva.

                Mizael e Evandro foram indiciados por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e meio cruel) e ocultação de cadáver. Eles negam o crime. De acordo com o relatório do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Mizael matou Mércia por ciúmes e jogou o corpo dela em uma represa em Nazaré Paulista, no interior do Estado. Evandro, segundo a investigação, ajudou o ex a fugir, dando carona para ele.

                O veículo da advogada também foi localizado na represa um dia antes, em 10 de junho. Um pescador havia dito à polícia ter visto o automóvel afundar, além de ver um homem não identificado sair do carro e ter escutado gritos de mulher.

                De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Mércia morreu afogada. De acordo com a perícia, a advogada foi baleada no braço e no queixo, teria desmaiado e se afogou, já que não sabia nadar.

                Segundo a investigação, Mizael não aceitou o fim do relacionamento de quatro anos com Mércia e decidiu planejar o assassinato dela. Evandro confirmou essa versão em um depoimento gravado pelo delegado Antônio de Olim, do DHPP, mas depois negou tudo: alegou que havia sido torturado pela polícia sergipana para confessar o crime.

                Dos dois suspeitos, somente Evandro continua preso temporariamente por 30 dias. Ele está detido desde 9 de julho, quando foi preso em Sergipe e transferido para Guarulhos, onde está na carceragem do 1º Distrito Policial. Nesta segunda, o Tribunal de Justiça de SP negou o pedido de liberdade para o vigia. Mizael, que já teve a prisão preventiva decretada e suspensa, permanece solto.

                Ainda, segundo o relatório do DHPP, Mizael e Evandro trocaram diversos telefonemas combinando o crime. A polícia chegou a essa informação a partir da quebra dos sigilos telefônicos dos dois. O rastreador do carro do ex também mostrou que ele esteve próximo ao local onde Mércia sumiu e onde ela foi achada no mesmo dia do crime.

                A partir do dia que receber o relatório, o promotor Rodrigo Merli Antunes tem cinco dias para se manifestar. Ele já adiantou que irá oferecer denúncia à Justiça contra o ex e o vigia pelo assassinato de Mércia na próxima segunda-feira (2), quando o juiz Leandro Bittencourt Cano volta de férias. Na data, a Promotoria deverá pedir a prisão preventiva de Mizael e de Evandro. Desse modo, os dois teriam que ficar presos até um eventual julgamento.

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