Campo Grande - MS, sábado, 18 de agosto de 2018

Anos depois

Polícia conclui que universitário foi morto por 5 seguranças em festa rave

30 MAR 2011Por G118h:30

Após quase três anos de investigações, a Polícia Civil de Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, concluiu que o universitário Erick Jhonathan Esiquiel, de 20 anos, foi morto por quatro seguranças e o chefe deles após ter sido agredido por eles durante uma festa rave, realizada em 27 de abril de 2008, numa fazenda em Pirapora do Bom Jesus. O corpo do estudante de direito foi encontrado em 30 de abril daquele mesmo ano, num barranco distante 60 metros do evento de música eletrônica. O laudo dos peritos mostrou que ele tinha sinais de espancamento e estava bastante ferido, até com fraturas expostas.

O delegado Zacarias Tadros, chefe do Setor de Homicídios na região, concluiu o inquérito sobre o assassinato do jovem nesta quarta-feira (30) e vai entregá-lo ao Poder Judiciário ainda à tarde. O documento será distribuído para um juiz e para o Ministério Público, que deverão se manifestar contra ou a favor da decisão da polícia em responsabilizar os cinco suspeitos pelo crime de homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Se concordar com a polícia, a Promotoria poderá denunciar os suspeitos para que eles respondam pelo crime na Justiça, podendo ser levados até um eventual julgamento no futuro.

Segundo o delegado, Erick apanhou e foi morto porque havia flagrado um dos seguranças vendendo drogas dentro da festa. “Como esse segurança é um ex-policial militar, que não queria mais voltar a cadeia para cumprir outra pena por tráfico de drogas, partiu para cima do estudante.

Outros seguranças o ajudaram na seção de espancamento, dentro de uma tenda”, explica Tadros.


Apesar de os indiciados sempre terem negado qualquer envolvimento no crime e alegarem ser inocentes, o delegado afirma que testemunhas, outros freqüentadores da rave, disseram ter visto os seguranças espancando o universitário. “Essas cinco pessoas indiciadas participaram diretamente das agressões que levaram o menino à morte”, diz Tadros.

Segundo o delegado, três dos cinco indiciados têm passagens pela polícia por outros crimes. “Para se ter uma idéia, 22 seguranças que trabalharam na rave tinham passagens por crimes hediondos, como homicídio, estupro, roubo e atentado violento ao pudor. Um deles havia saído de um manicômio judiciário dias antes de trabalhar no evento”.

Erich, que morava em Mauá, na Grande SP, havia ido à festa escondido dos pais. “Ele tinha me dito que iria para um evento religioso”, disse o pai, Almir Esiquiel, que é evangélico e acabou estudando direito, se formando advogado. “Decidi voltar a fazer faculdade para acompanhar de perto o processo contra os assassinos de meu filho”.

O G1 não conseguiu localizar os cinco suspeitos indiciados para comentar o assunto.

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