Domingo, 25 de Fevereiro de 2018

RADAR

Poderosa máquina de concursos, Cespe entra na mira do MEC

29 JAN 2011Por ESTADÃO06h:45

Poderosa máquina de concursos, avaliações e processos seletivos, com arrecadação superior a R$ 200 milhões, o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe) entrou no radar do Ministério da Educação, que cogita reestruturar a entidade com a criação de uma espécie de "concursobrás". As eventuais mudanças no Cespe a partir da implantação de uma nova estatal foram discutidas ontem pelo conselho universitário da Universidade de Brasília (UnB). O Cespe é vinculado à UnB, que teme perder a gerência sobre o órgão.

De um lado, o MEC frequentemente recorre aos serviços do Cespe na realização de exames. A um custo de R$ 128,5 milhões, o órgão formou consórcio com o Cesgranrio para a aplicação do Enem 2010. O mesmo consórcio fez o pré-teste, por R$ 6,191 milhões. Nos dois casos houve dispensa de licitação.

A UnB, no entanto, não abre mão da gerência do Cespe, que lhe disponibilizou receita de R$ 35,4 milhões no ano passado. Ontem, foram espalhadas faixas pelo câmpus da universidade com a mensagem "O Cespe é nosso", assinada pela Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB).

Setores da universidade temem que a criação da empresa pública crie uma vinculação direta com o MEC, e não com a UnB. "Se você fecha o Cespe, a universidade para. É preciso garantir a autoridade da UnB sobre o Cespe, caso contrário, é roubada pra instituição entrar nessa", disse ao Estado um integrante do conselho. "Seria matar a galinha dos ovos de ouro."

Competência. "A criação da empresa pública deve assegurar o vínculo com a UnB", afirmou o o reitor da universidade, José Geraldo de Sousa Junior. "O Cespe já tem uma competência consolidada e pode aperfeiçoar o processo de operacionalização do Enem, que é um exame de grande alcance."

A avaliação é a de que a UnB também perderia caso o MEC abrisse por conta própria a empresa, sem incorporar o Cespe. Entre 1994 e 2010, a arrecadação do órgão saltou de R$ 7,2 milhões para R$ 228,1 milhões, impulsionada pelo festival de concursos públicos promovido durante o governo Lula. "O Cespe é o nosso segundo pré-sal", comentou durante a reunião do conselho o professor Athail Rangel, diretor do Centro de Educação a Distância (CEAD).

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