Sábado, 17 de Fevereiro de 2018

PM que tirou bebê ainda com placenta de água suja no RJ se diz 'recompensado'

17 FEV 2011Por g120h:47

"A gente se sente recompensado de tirar o bebê com vida daquele lugar", resumiu o cabo Luciano de Oliveira Andrade, de 32 anos, que resgatou um recém-nascido de um valão de Queimados, na Baixada Fluminense, nesta quinta-feira (17), com a ajuda do cabo Leandro da Rocha Martins, 31. Os dois policiais militares do 24º BPM (Queimados) ainda custam a acreditar no que aconteceu nesta manhã.

"Naquela hora você não pensa em mais nada, só em levar ele dali"
Cabo Luciano Andrade, do 24º BPM (Queimados)

Segundo o cabo Luciano, os PMs e um vizinho conseguiram resgatar o bebê na manhã desta quinta, após serem chamados por volta das 8h por uma vizinha que teria visto a criança dentro do valão. "Ficamos felizes em saber que o bebê está bem, sob cuidados médicos, porque ele deve ter passado várias horas, a madrugada dentro daquela água suja", disse o PM.

Ao se lembrar dos momentos do resgate, o policial se emociona. "Ficamos andando de um lado para o outro, tentando avistar o bebê que a vizinha disse ter visto por perto, e nada. Uns 15 metros a frente, a gente escutou o choro da criança e corremos para resgatá-la. Ela chorava muito e estava presa naquela sujeira. Foi um galho de árvore que segurou o bebê naquela correnteza", contou.

"Naquela hora você não pensa em mais nada, só em levar ele dali. Ele estava dentro de um saco plástico ainda com placenta e o cordão umbilical. Uma vizinha correu com uma toalha e enrolamos a criança para levá-la para o hospital", disse o cabo Luciano, que está há quase 9 anos na Polícia Militar, mas nunca passou por "nada parecido com isso". "Nem eu, nem o cabo Leandro", completou o cabo Luciano sobre o colega que está há 9 anos na corporação.

'Guerreiro'
A criança foi socorrida com vida e levada para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do município. Segundo a polícia, o recém-nascido foi atirado num valão no bairro Ponte Preta.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Nova Iguaçu, o bebê está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Maternidade Mariana Bulhões e seu quadro saúde é instável, já que ele respira com o auxílio de aparelhos.

A Secretaria informou também que o recém-nascido pesa 2,240 kg, passou por exames e segue em observação, se alimentando apenas de soro. Os médicos estão otimistas e funcionários do hospital chamam o bebê de "guerreiro", ainda segundo a assessoria da Secretaria.

Polícia investiga o caso
A polícia esteve no local onde o bebê foi resgatado para colher pistas e informações que possam levar a identificar a mãe da criança. De acordo com o delegado Niandro Ferreira Lima, titular da 55ª DP (Queimados), a suspeita é de que ela more perto da ponte de onde o recém-nascido foi jogado. "Estive no local e tem trilha de sangue perto da ponte, mas ela se perde em determinada distância. Conversamos com alguns moradores e acreditamos que a pessoa seja da própria redondeza e que o parto tenha sido feito em casa", disse o delegado.

Ainda de acordo com o titular da 55ª DP, na sexta-feira (18) os moradores começarão a ser ouvidos na delegacia. "O mais importante é que os moradores prestem depoimento para ajudar a encontrar essa mulher", ressaltou o delegado, acrescentando que ela poderá responder por tentativa de homicídio qualificado, cuja pena varia de 12 a 30 anos de prisão.

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