Sábado, 23 de Junho de 2018

Pitadas de realidade

28 JUL 2010Por 05h:51
Márcio Maio, TV Press

Muitos autores tentam, a todo custo, aproximar suas histórias da realidade. E, para isso, contam com aparições de figuras ilustres ou simplesmente conhecidas de fora da ficção dando as caras nas gravações. E as aparições de famosos do mundo real são cada vez mais constantes no ar. Desde estilistas que promovem desfiles em tramas voltadas para a moda a cantores que, não só embalam festas e shows, mas também promovem as trilhas sonoras das novelas. Em “Ti-ti-ti”, por exemplo, o estilista Alexandre Herchcovitch, o designer Fabrizio Giannone, as jornalistas Maria Prata e Erika Palomino e a consultora de moda Regina Martinelli deram veracidade às cenas de um desfile de moda. E, pelo andar da carruagem, outras participações especiais podem aparecer no “remake” de Maria Adelaide Amaral. “Estamos partindo para uma edição dinâmica, uma viagem ao mundo fashion. Vamos usar as referências do mundo da moda e da costura”, garante o diretor Jorge Fernando.
Nem só a Globo aposta em figuras conhecidas do mundo real para enfeitarem as cenas da ficção. Na Record, Cristianne Fridman decidiu agitar um pouco mais as reuniões que a emergente Arlete, de Jussara Freire, em “Chamas da Vida”, promovia em sua casa na Urca com os velhos amigos do Tinguá, região onde a personagem havia sido criada. E, para isso, convidou o sambista Dudu Nobre, que já tinha marcado presença em “Celebridade”, na Globo, para embalar o pagode. “Isso ajuda a transportar os telespectadores para o ambiente, o clima da cena”, atesta Fridman.
Participações musicais também rechearam os capítulos de “Ana Raio e Zé Trovão”, produzida pela Manchete e em reprise atualmente pelo SBT. Na época, o segmento sertanejo - que não encontrava espaço mesmo em tramas rurais - começou a ser valorizado pelas tomadas dirigidas por Jayme Monjardim. “Levamos nomes como Chitãozinho e Xororó, Tonico e Tinoco, entre muitos outros. Incluindo duplas do Mato Grosso que começavam a carreira naquele período. Muitos músicos, já famosos, pediam, queriam participar”, lembra Jayme.
Participações especiais de não-atores, geralmente, estão associadas à temática dos folhetins. E, em alguns casos, servem para mostrar características que devem ficar bem marcadas em personagens importantes. Como em “Vale Tudo”, de 1988, que mostrava a vilã Maria de Fátima, de Glória Pires, fazendo de tudo para entrar na alta sociedade. “Conseguimos o Ibrahim Sued (então um dos mais célebres colunistas sociais brasileiros) para ser apresentado a ela já na primeira semana. Foi o maior símbolo do mundo onde ela queria chegar”, valoriza o autor Gilberto Braga. Assim como em “Paraíso Tropical”, que Gilberto assinou com Ricardo Linhares. Na trama, Marion, de Vera Holtz, era promoter e precisava encher os salões e as festas do hotel Duvivier com figuras ilustres. “Ela fazia os convites, o que dava naturalidade às aparições de celebridades”, recorda Linhares.
 Em “Passione”, Clotilde, de Irene Ravache, também tenta lotar suas reuniões com personalidades famosas e da alta sociedade. Mas o autor Sílvio de Abreu não deve realizar o maior sonho da personagem: receber Danuza Leão em algum de seus eventos. “A citação é apenas uma brincadeira carinhosa com uma amiga. Não pretendo convidar a Danuza”, esclarece. Já Elizabeth Jhin não vê a hora de fazer a alegria da despachada Magali, interpretada por Nica Bonfim em “Escrito nas Estrelas”. A personagem sonha fazer o cruzeiro de Fábio Jr. e, se depender de Jhin, o cantor em breve dará as caras na novela. “Até o final da novela, ele deve aparecer. No momento em que a situação levar a isso, vamos colocar uma cena”, adianta ela, que chamou Paulo Coelho para participar do primeiro capítulo de “Eterna Magia”, seu primeiro folhetim. Na época, entrou como um personagem, mas com características místicas que tinham tudo a ver com o escritor. “A ideia era dar credibilidade e também situar a novela”, justifica.

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