Quarta, 21 de Fevereiro de 2018

PIB industrial cai até 45% em 4 municípios

13 OUT 2010Por Carlos Henrique Braga02h:00



Um pequeno grupo de quatro cidades comeu poeira na corrida pela industrialização e viu o Produto Interno Bruto (PIB) do setor encolher até 45,7% entre 2002 e 2007. Eles formam o PRRiC (Ponta Porã, Rochedo, Rio Verde e Chapadão do Sul), em alusão ao BRIC, grupo de países emergentes do qual o Brasil faz parte, só que ao contrário: enquanto Brasil, Rússia, Índia e China movem o terceiro mundo, o PRRiC perdeu posições no ranking do PIB industrial e aposta na concessão de incentivos fiscais para acelerar a geração de empregos.
Segundo levantamento do Radar Industrial, da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul  (Fiems), o PIB industrial cresceu em 74 dos 78 municípios, sendo que em 42 o aumento superou 100%. A média estadual oscilou 78% entre 2002 e 2007, de R$ 2,2 bilhões para R$ 3,9 bilhões.

Câmbio
Em Ponta Porã, a culpa da queda de 4,8% no produto interno, de R$ 74,2 milhões para R$ 70,6 milhões, é da variação cambial, segundo o secretário municipal de Desenvolvimento, Marcelino Nunes. Voltada ao turismo comercial, a cidade pode atrair indústrias de olho no mercado paraguaio, mas sofre quando o real ganha força e o movimento no varejo cai. “Essa pequena queda foi causada pelo movimento normal de mercado, somos muito dependentes do câmbio e a indústria sofre com isso”, justifica Nunes.
O crédito farto no lado brasileiro atrai paraguaios, que representam mais de 50% dos clientes do comércio. “Eles não têm crediário no Paraguai, não têm Casas Bahia, que divide em 20 vezes”, compara o secretário.
Commodities
Chapadão do Sul, que despencou 24 posições no ranking do PIB (de 10º para 34º), também credita a redução de R$ 33 milhões para R$ 20 milhões (-39,2%) ao sobe e desce do mercado, mas o de commodities. A economia ainda é dependente da agricultura e a indústria reflete a vocação. A usina de açúcar e álcool, que emprega mil pessoas, abriu há um ano; a fábrica de fios de algodão, com 20 trabalhadores, também, por isso ficaram de fora do levantamento da Fiems. “Nós temos um programa de incentivos fiscais (Prodichap), mas esses investimentos são lentos”, explica o secretário municipal de Desenvolvimento, Marcelo Bexiga.
A cidade de Rio Verde do Mato Grosso teve a menor retração (-4,21%), de R$ 12,8 milhões para R$ 12,3 milhões. Mas como outros municípios dispararam na atração de fábricas, ela desceu da 30ª para 42ª no ranking.

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