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terça, 19 de fevereiro de 2019 - 16h05min

MÃOS LIMPAS

PF prende o governador do Amapá

11 SET 10 - 05h:29
brasília

A pacata cidade de Macapá acordou ontem com barulho de sirenes e a informação de que a Polícia Federal estava prendendo as maiores autoridades do Estado, inclusive o governador Pedro Paulo Dias (PP). A Operação Mãos Limpas, durante toda a sexta-feira, cumpriu 87 mandados de condução coercitiva e 94 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça.
Os mandados foram cumpridos em órgãos públicos, como Tribunal de Contas do Estado, Prefeitura de Macapá, Assembleia Legislativa, secretarias de Estado da Saúde, da Educação, Segurança, Inclusão Social e de Desporto e Lazer. Todas foram lacradas pela PF e os funcionários mandados de volta pra casa enquanto os policiais recolhiam documentos e computadores.
Os presos e os conduzidos para depor foram levados para o Quartel do Exército, pois a sede da Polícia Federal no Amapá não comportaria tanta gente.
Até as 20 horas de ontem, a Polícia Federal não tinha liberado a lista dos envolvidos. 18 pessoas foram presas, entre elas o governador Pedro Paulo Dias (PP), candidato à reeleição, o ex-governador Waldez Góes (PDT) candidato ao Senado e sua mulher Marília Góes, ex-secretária de Inclusão Social e candidata a deputada estadual. O presidente do Tribunal de Contas do Estado, ex-deputado Júlio Miranda, foi preso em João Pessoa, na Paraíba.
O presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Amanajás (PSDB), candidato a governador, prestou depoimento e foi liberado. O mesmo aconteceu com o prefeito da capital, Macapá, Roberto Góes (PDT), primo do ex-governador.
Os presos foram conduzidos de ônibus, do quartel do Exército, para o aeroporto por volta das 17 horas. O povo aglomerou-se na entrada do aeroporto. De um lado, pessoas recebendo o ônibus aos gritos de “ladrão”, “corrupto”, “cadeia neles”. De outro, militantes do PP, com bandeiras, protestando contra a prisão do governador e cantando o jingle de sua campanha. O candidato a vice-governador, Alberto Góes, disse que “agora que a campanha vai ficar boa”.

O esquema
As investigações, que contaram com o auxílio da Receita Federal, Controladoria-Geral da União e do Banco Central, começaram em agosto do ano passado. Foram apurados indícios de um esquema de desvio de recursos da União, que eram repassados à Secretaria de Educação do Estado do Amapá, provenientes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).
De acordo com a PF, a maioria dos contratos administrativos firmados pela Secretaria de Educação não respeitava as formalidades legais e beneficiava empresas previamente selecionadas. Para se ter uma ideia, apenas uma empresa de segurança e vigilância privada, segundo a polícia, manteve contrato emergencial por três anos com a secretaria, com fatura mensal superior a R$ 2,5 milhões, e com evidências de que parte do valor retornava, sob forma de propina, aos envolvidos.

Sucessão
O presidente do Tribunal de Justiça do Amapá (TJ-AP), desembargador Dôglas Evangelista Ramos, assumiu o governo do Estado. Com a prisão do governador Pedro Paulo, o terceiro na linha sucessória seria o presidente da Câmara Legislativa do Estado, Jorge Amanajás (PSDB), mas ele está impedido de assumir o cargo porque concorre ao Governo do Estado.
Dias havia assumido o governo do Amapá no último mês de abril, quando o governador Waldez Góes (PDT) se licenciou para concorrer às eleições ao Senado. Góes também foi preso pela Polícia Federal na sexta-feira acusado de participar do possível esquema de desvio.
Após a confirmação da Polícia Federal de que Dias havia sido preso, o desembargador se reuniu com o procurador de Justiça do Estado, Iaci Pelais, e assumiu o governo.
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