Terça, 12 de Dezembro de 2017

AMAZONAS

PF diz ter achado peças de veículo na região onde três homens sumiram

5 JAN 2014Por FOLHAPRESS08h:30

A Polícia Federal anunciou ontem ter encontrado peças queimadas de um veículo Volkswagen. O material será avaliado por peritos para verificar se pertencem ao Gol no qual viajavam três homens desaparecidos desde o dia 16 de dezembro.

O local da descoberta está a cerca de 1 km da rodovia Transamazônica, perto de uma aldeia da etnia tenharim. Foi utilizado também um cão que fareja evidências de mortos, mas sem resultados.

Nos últimos dias, as buscas da PF, realizadas com o apoio da Força Nacional e do Exército, se concentram apenas na região da aldeia Taboca, a cerca de 135 km de Humaitá (AM). À reportagem o cacique Domiceno Tenharim, 32, assegurou que não encontrarão nada: "Podem procurar à vontade".

A aldeia tem 31 moradores, dos quais oito são filhos de Domiceno. Há eletricidade, as casas são de madeira e o cultivo mais presente é o da mandioca.

O cacique disse que a região onde as peças de carro foram encontradas fazem parte um castanhal e de roças explorados por um tio, Albertino, que mora numa aldeia vizinha. Domiceno disse à reportagem para conversar com Albertino e até enviou um recado: "É pra arrumar pra mim três sacos de castanha pra realizar a festa [típica] botawa".

O cacique disse que não tinha informações sobre carros no local, mas que é muito comum o uso de queimadas em locais de roça. Ele reclamou da rispidez do interrogatório. "O delegado ficava pedindo pra eu escrever o nome do culpado e jogar na estrada".

"Quando suspeitaram que o carro tinha desaparecido em terra indígena, a primeira coisa que o povo tenharim falou pra polícia: vem aí, vem fazer esse trabalho aí."

Os tenharim vêm sendo hostilizados pela população local desde que Aldeney Salvador (funcionário da Eletrobras), Luciano Ferreira (representante comercial) e Stef de Souza (professor de escola pública) desapareceram enquanto viajavam.

No Natal, moradores de Humaitá queimaram a sede e carros da Funai (Fundação Nacional do Índio), bem como impediram a saída de 115 índios que estavam na cidade e foram obrigados a se refugiar por seis dias num quartel.
 

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