Domingo, 25 de Fevereiro de 2018

Petrobras deve se preparar para possível demanda para a gasolina

10 OUT 2010Por 05h:00

Gustavo Porto (AE)

Sem aumento na oferta de cana e com apenas de três a cinco novas usinas adicionadas ao parque sucroalcooleiro em 2011, o cenário será restrito também para a oferta de açúcar e etanol em 2011. Para Tarcilo Rodrigues, diretor da Bioagência, “2010 será o último ano que a demanda de etanol no mercado interno será totalmente atendida pela oferta”. Segundo ele, a estabilidade na produção do combustível fará com que a oferta seja insuficiente para conter o avanço da frota de veículos flex fuel até 2011 e do consequente aumento no consumo do álcool.
Com isso, o consumidor deve, em algum momento do ano que vem, optar pela gasolina diante da vantagem econômica em abastecer com o combustível derivado do petróleo. Para Rodrigues, a Petrobras precisará se preparar para um possível aumento de consumo da gasolina em 2011 e evitar os problemas que teve no início de 2010. Naquele momento, com o preço do etanol elevado, o consumidor passou a usar a gasolina e a estatal precisou importá-la para suprir a demanda extra.
Ailton Sacramento, diretor no Brasil da trading britânica ED&F Man, avalia que a oferta de açúcar do Brasil dependerá da próxima safra da Índia. As previsões da companhia apontam para uma produção indiana de até 28 milhões de toneladas da commodity no período. Mas as características da produção naquele país, cuja estrutura agrária reúne milhões de pequenos produtores de cana, torna incerta qualquer previsão. “A produção da Índia deve chegar a 28 milhões de toneladas, mas há possibilidade de variar em até quatro milhões de toneladas para baixo. Essa, a meu ver, é a principal variável para determinar os preços do açúcar”, disse Sacramento.
Carvalho, da Canaplan, sugeriu ao setor produtivo de etanol que discuta políticas para garantir o abastecimento do combustível em um cenário de oferta estável e demanda em alta. “Com isso, os produtores evitarão ações cíclicas, e até histéricas, do governo”, concluiu.

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