Sábado, 17 de Fevereiro de 2018

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Petrobras Cultural seleciona projetos de MS

20 DEZ 2010Por CRISTINA MEDEIROS00h:00

Dois projetos de Mato Grosso do Sul estão entre os 149 contemplados pelo Programa Petrobras Cultural (PPC) 2010, anunciado na última sexta-feira em São Paulo, e que teve um total de 3.446 propostas inscritas. A Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande é uma das contempladas, com o projeto “Descendo o Sarrafo – Choro Opus Trio e convidados”. Ela poderá receber até o limite de R$ 200 mil – o valor exato ainda não foi divulgado – para gravar um CD de músicas instrumentais do compositor brasileiro Amintas José da Costa, conhecido como Sarrafo, pelo Choro Opus Trio e convidados.

Já Naine Terena, de Aquidauana, que inscreveu o projeto por meio da DOM Produções, de Cuiabá (MT), poderá ser beneficiada com até R$ 300 mil (a cifra exata não foi divulgada) para colocar em prática o projeto “Vucapanavó” (Vamos em frente), a ser desenvolvido em cinco aldeias Terena existentes em Aquidauana.

Para o presidente da Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande, Roberto Figueiredo, a seleção do primeiro e único projeto inscrito pela Fundac no Petrobras Cultural é resultado do processo de visibilidade fora do Estado que se começou dar ao órgão municipal desde o ano passado. “A Fundação de Cultura, durante estes anos todos, viveu fechada dentro do orçamento da própria Prefeitura e nós procuramos reverter isso – basta lembrar os Pontos de Cultura. Quando surgiu a oportunidade do Petrobras Cultural, resolvemos inscrever o projeto pela importância que ele tem, um CD de música popular e erudita ao mesmo tempo, assinado por um regente com o gabarito do Eduardo Martinelli associado ao grupo com o qual ele vai trabalhar”.

Para Figueiredo, ter um projeto aprovado pelo Petrobras Cultural dá uma visibilidade muito grande à Capital, talvez maior do que o próprio projeto em si. “A Prefeitura de Campo Grande começa a ser reconhecida a nível nacional. Isso quer dizer que nós temos todas as condições para fazer outros projetos e sermos beneficiados”.

O projeto da gravação do CD é uma proposta do violonista e regente Eduardo Martinelli (da Orquestra Sinfônica Municipal de Campo Grande e da Orquestra Jovem da Fundação Barbosa Rodrigues), que há pelo menos 10 anos alimenta a ideia de gravar as músicas instrumentais do compositor e saxofonista sergipano Amintas José da Costa, hoje com 92 anos e morando no litoral de São Paulo. “Este projeto está embasado na trajetória dele, desde 1930; ele é um compositor e saxofonista que conviveu com grandes nomes da música brasileira, como Pixinguinha, Ari Barroso e Guerra Peixe e compôs muitos choros. Agora, vamos para São Paulo e, a partir das partituras, reconstruir suas melodias e gravar o disco”.

Da gravação participarão o Choro Opus Trio – Eduardo Martinelli (violão), Ivan Cruz (violão e bandolin, flauta transversal) e Jairo Lara (violão de sete cordas), e os convidados Quarteto Toccata (violões), Myriam Hidber Dickinson (Suíça), na flauta transversal; Marcos Assunção (guitarra), Marcelo Fernandes (violão); Quarteto Reis (cordas).

Nas aldeias
O projeto de Naine Terena visa promover capacitações com professores indígenas das cinco aldeias de Aquidauana, para preparar materiais que possam ser utilizados em sala de aula. “O projeto surgiu de algumas conversas com professores e de algumas necessiddes que eles apresentaram para poder estar em sala de aula e ensinar a cultura terena”.  Segundo ela, serão promovidas palestras, oficinas e, posteriormente, os professores estarão capacitados e produzindo materiais que reproduzirão e devolvererão para as comunidades onde o trabalho será executado. “É preciso criar mecanismos para a manutenção da identidade indígena e a diminuição do processo de exteinção dos costumes, das artes e das crenças Terena”, explica Naine, que é radialista, com mestrado em Artes pela UnB e em fase de doutorado em Educação na PUC de São Paulo, voltada para a educação indígena.

Projetos de 18 estados receberão R$ 52 milhões
O anúncio dos contemplados pelo Programa Petrobras Cultural (PPC) ocorreu na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, com a presença de grande parte dos artistas e produtores premiados, de 18 estados brasileiros. Aos vencedores desta segunda fase do PPC, que está na 7ª edição, serão distribuídos R$ 52,9 milhões, para todas as áreas da cultura.

Foram contemplados projetos de apoio a museus, arquivos e bibliotecas, educação para as artes, manutenção de grupos e companhias de teatro, dança e trupes circenses, produção de filmes de longa e curta metragem em 35 mm e digitais, cultura digital, literatura, gravação de CDs, turnês de shows e concertos e gravação para internet. No início do ano, três outras áreas já foram contempladas (festivais de música, festivais de cinema e difusão de longa-metragem em salas de cinema), com aplicação de recursos num total de R$ 9 milhões.

O gerente executivo de comunicação institucional da Petrobras, Wilson Santarosa, fez questão de afirmar que a Petrobras é a empresa brasileira que mais investe na cultura – apenas com o PPC, que existe desde 2003, foram destinados R$ 311 milhões para 1.246 projetos contemplados – já foram inscritas 26 mil propostas.

Durante a entrevista coletiva, Eliane Costa, gerente de patrocínio da Petrobras, citou para os presentes o exemplo da representante Terena, que ela já havia visto na edição 2006 do PPC (Naine teve um projeto contemplado naquela edição). “Ela é uma prova viva da importância de um projeto de seleção pública em que, uma representante do povo Terena que dificilmente teria acesso a ter um projeto feito por escolha direta ou por uma questão apenas de visibilidade de marca ou por outras questões, tem outro projeto aprovado; eu a encontrei aqui de novo e é algo muito bacana”.

As comissões de seleção do PPC são formadas por grupos de profissionais que atuam diretamente nos setores da cultura contemplados pelo programa, incluindo diretores, pesquisadores, jornalistas, críticos, curadores, acadêmicos, editores, entre outros. 

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