terça, 17 de julho de 2018

SAÚDE

Pesquisa sobre dor é premiada

2 DEZ 2010Por São Paulo18h:22

A estimulação elétrica do córtex motor já é amplamente utilizada na clínica médica como ferramenta para controle da dor persistente. Entretanto, ainda não era conhecido o seu mecanismo de atuação. A partir desse desafio, o Grupo de Pesquisa de Neuromodulação e Dor Experimental do Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa (IEP) estabeleceu, após dois anos de estudos, como funciona a estimulação do córtex motor (ECM), frente à dor neuropática.

Os pesquisadores Rosana Pagano, Cristiane Cagnoni Ramos e Erich Fonoff, do IEP, e Luiz Roberto Britto, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, submeteram ratos a um modelo de dor crônica neuropática e, após uma semana, implantaram eletrodos sobre a área do córtex motor dos animais e compararam com ratos “falso-operados”.

Nos animais em que a dor foi revertida pela estimulação, observou-se a ativação do sistema adicional de inibição da dor chamado endocanabinóide. Os endocanabinóides são substâncias que começaram a ser estudadas a partir da década de 1990, encontradas no sistema nervoso e imunológico dos animais e seres humanos, que ativam os receptores canabinóides, responsáveis pela analgesia e sensação de bem-estar. A ECM também proporcionou a inibição das células que produzem os fatores que contribuem para a manutenção da dor crônica (células gliais).

Os dados poderão facilitar o entendimento do papel do córtex motor na inibição deste tipo de dor, que é causada por doenças ou lesões que afetam o Sistema Nervoso Central. E contribuir com o aprimoramento de estratégias terapêuticas para pacientes amputados ou com doenças como fibromialgia, herpes e nevralgias.

Por conta desta inovação, a experiência realizada pelo Grupo de Pesquisa de Dor do Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa (IEP) foi premiada durante o Congresso Brasileiro de Dor, na categoria Pesquisa Experimental.

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