Segunda, 19 de Fevereiro de 2018

boom imobiliário

Periferia vira opção para mercado de imóveis

31 OUT 2010Por Naiana Oscar (AE) 03h:10

Formada em Administração e Direito, com três pós-graduações, e passagens pelo Japão, Estados Unidos e Austrália, a empresária Solange Yamakawa teria condições de trabalhar como executiva de qualquer multinacional, quem sabe com escritório numa das regiões mais nobres da capital paulista. Mas é do outro lado da cidade, num bairro da periferia paulistana, que ela comanda uma equipe de 30 corretores de imóveis.

Na parede do prédio, um cartaz anuncia a contratação de mais profissionais, e sua equipe deve chegar a cem no próximo ano. Com tino para o negócio, Solange quer aproveitar o boom imobiliário no segmento de baixa renda para inaugurar novos escritórios na região.

A venda de unidades habitacionais para as classes C e D em algumas regiões periféricas de São Paulo cresceu até 200% entre 2007 (antes da crise) e neste ano. Os dados são da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp). No mesmo período analisado, de janeiro a agosto, bairros mais centrais, como Consolação e Santa Cecília, registraram queda de 15% na venda de lançamentos.

O mercado aquecido, impulsionado pelo aumento da renda da população e pelo programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo federal, levou para a periferia um fenômeno já visto em áreas nobres, em que profissionais qualificados migraram para a corretagem de imóveis não por necessidade, mas por ser um bom negócio.

"Tem advogado, contador, administrador e até médico virando corretor na periferia", diz Reis Ferreira da Silva, delegado do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo.

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