terça, 17 de julho de 2018

ESTÁVEIS

Pela 2ª reunião seguida, Copom mantém juros em 10,75% ao ano

21 OUT 2010Por 00h:31

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reuniu na terça-feira e ontem (20) decidindo, por unanimidade, manter a taxa básica de juros da economia brasileira estável em 10,75% ao ano. Esse é o segundo encontro seguido do Copom no qual os juros ficam estáveis.

O Comitê começou a subir a taxa básica da economia brasileira em abril, e depois promoveu mais duas elevações em junho e julho deste ano. Antes disso, os juros estavam em 8,75% ao ano, a mínima histórica. Deste modo, a subida total dos juros em 2010 foi, até o momento, de dois pontos percentuais.

A decisão do Copom veio em linha com a expectativa de grande parte dos analistas do mercado financeiro, segundo pesquisa conduzida pelo BC na última semana. A previsão dos economistas dos bancos é de que a taxa voltará a subir somente em abril do próximo ano - quando deverá avançar para 11,25% ao ano.

No Brasil, vigora o sistema de metas de inflação, pelo qual o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas. Para 2010 e 2011, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

Ao fim do encontro, o BC divulgou a seguinte frase: "Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 10,75% ao ano, sem viés".

Juros reais e atração de capitais
Com a manutenção dos juros básicos da economia em 10,75% ao ano, o Brasil segue na liderança isolada no ranking mundial de juros reais - que são calculados após o abatimento da inflação prevista para os próximos doze meses.

De acordo com dados do economista Jason Vieira, da corretora Cruzeiro do Sul, a taxa real de juros do Brasil está em 5,3% ao ano, mais do que o dobro do segundo colocado (África do Sul, com 2,4% ao ano). Com a subida dos juros na China, a nação passou a Rússia e ficou na terceira colocação, com uma taxa real de 2% ao ano. A taxa média de 40 países pesquisados está negativa em 0,5%.

"A taxa de juros é super atraente. Competir com [quase] 6% ao ano de largada é muito complicado. O olho continua aqui e culpa é do Banco Central. O investidor vai se manter atraído", disse Vieira. Segundo ele, a nova rodada de aumento do IOF, autorizada pelo Ministério da Fazenda na última semana, porém, contribui para arrefecer as pressões de queda do dólar. "A questão do IOF pesa", avaliou ele.

Guerra cambial
A decisão do BC de manter os juros em 10,75% ao ano acontece em momento no qual a maioria das nações têm optado por juros reais próximos de zero, e também, por ações para desvalorizar suas moedas. O objetivo é justamente o de estimular as suas exportações para outros países, a chamada "guerra cambial" - expressão cunhada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Entre os países que atuaram neste sentido estão a Tailândia, o Japão e Colômbia. Além da elevação do IOF no Brasil, o governo brasileiro também intensificou, nos últimos meses, as compras de dólares no mercado à vista, com o objetivo de tentar impedir uma queda maior do dólar - fator que barateia as exportações brasileiras e prejudica a competitividade das empresas nacionais.

Os Estados Unidos, por sua vez, estão atuando no chamado "afrouxamento quantitativo" da política monetária, o que significa que, para estimular sua economia, que ainda se recupera lentamente da crise financeira internacional, o país pode inundar o mercado com dólares. Com a forte ligação financeira internacional, a tendência é de que o resto das moedas se valorize frente ao dólar.

O único alento na "guerra cambial" ficou por conta da China, que anunciou nesta semana o primeiro aumento na sua taxa de juros desde dezembro de 2007. A taxa de depósitos de um ano passou para 2,5% ao ano, enquanto a taxa de empréstimos foi para 5,56% ao ano. Ao subir os juros, a economia asiática tende a atrair mais capital.

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