segunda, 16 de julho de 2018

Pecuarista tem como reduzir a emissão de gases do efeito estufa

22 NOV 2010Por Da Redação16h:13

O Brasil assumiu em Copenhagen, em 2009, o compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa."O País apresentou 11 ações para mitigar a emissão desses gases. Quatro delas estão ligadas à agropecuária", segundo o pesquisador Alexandre Berndt, da Embrapa Pecuária Sudeste, com sede em São Carlos (SP). São elas: recuperação de pastagens degradadas, implantação de sistemas integrados lavoura-pecuária-floresta, plantio direto e fixação biológica de Nitrogênio no solo.

Buscando essas metas, os pecuaristas estarão contribuindo para a reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa emitidos pela prática pecuária.

Segundo ele, parte desses estudos é recente e ainda não foi publicada. Mas em breve serão informações de acesso público. Alexandre fez, em Corumbá, recentemente, a palestra "Emissão de metano entérico pela pecuária: panorama nacional" em uma mesa redonda que discutiu as mudanças climáticas e processos ecológicos no Pantanal.

Ele foi contratado pela Embrapa recentemente. Era pesquisador do Instituto de Zootecnia da Apta (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios) de São Paulo, em Nova Odessa.

O pesquisador comentou que a indústria automobilística já está fazendo sua parte, investindo na produção de carros híbridos. "A agropecuária também terá que contribuir", afirmou.

Ele lembrou que o Brasil tem um dos maiores rebanhos bovinos do mundo: são cerca de 200 milhões de cabeças – praticamente um boi para cada habitante. Entre 1994 e 2005, a emissão de metano no Brasil aumentou 26%, enquanto a exportação de carne cresceu mais de 400%.

Na pecuária, o metano é emitido a partir da fermentação ruminal e do manejo de dejetos. "Levantamentos mostram que no mundo 22% da emissão de metano vem da fermentação entérica." No Brasil, em função do tamanho do rebanho, essa porcentagem é de 69%.


Alimentação

De acordo com Alexandre, em 2050 o planeta terá 9 bilhões de habitantes, com melhores condições de vida, e querendo se alimentar melhor. "O desafio será aumentar a produção e reduzir os impactos ambientais. Ou seja, a produção terá que ser sustentável." Por isso os pecuaristas tem que aprimorar o desempenho na atividade e, ao mesmo tempo, procurar cuidar do meio ambiente.

Ele disse que não faz sentido deixar de consumir carne em função desses impactos, porque este produto é fonte de nutrientes que não se pode substituir. O pesquisador apresentou dados que confirmam que a emissão de gás metano pode ser controlada de forma mais eficaz se a população optar por outros meios de transporte.

O consumo de carne do brasileiro é de 36 quilos/ano. Isso equivale ao consumo de 100g/dia. Já a emissão por um carro movido a álcool que percorre 50 quilômetros por dia é quatro vezes maior. Um carro pequeno, movido a gasolina, percorrendo a mesma distância por dia, é 16 vezes maior.

O pesquisador disse ainda que o consumo consciente deve evitar o desperdício de alimentos, que vai muito além da carne. "A produção pecuária não pode ser intensificada às custas da degradação ambiental", concluiu.

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