Quarta, 21 de Fevereiro de 2018

Pecuarista quer iniciar venda direta em 2011

6 NOV 2010Por ADRIANA MOLINA03h:05

 A primeira cooperativa pecuária de Mato Grosso do Sul deverá entrar em funcionamento no segundo semestre de 2011. A previsão do grupo de criadores que está organizando a instituição é de que, até o final deste ano, as questões burocráticas sejam resolvidas para, em junho de 2011, toda a estrutura, cujo investimento será de R$ 800 mil, esteja pronta para começar a operar.

Serão construídas duas casas de carne em Campo Grande para fornecimento direto ao consumidor, uma em bairro nobre e outra num mais populoso – ambos ainda a ser escolhidos. Também serão comprados caminhões frigoríficos e montada a sede da cooperativa, que já conta com 62 interessados. Para se consolidar, ela precisa de, pelo menos 20 pecuaristas cooperados.

O abate dos bovinos será terceirizado. A estimativa é de que sejam 20 animais por dia e, cinco mil ao ano. Segundo o coordenador da Comissão da Pecuária de Corte da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), José Lemos Monteiro, ainda haverá negociação com unidades frigoríficas para escolher quem deverá fazer os abates.

Segundo ele, o sistema industrial da Capital tem grande potencial para o empreendimento. "Concentramos em Campo Grande metade da capacidade de abate de todo Mato Grosso do Sul. Vamos fechar com um frigorífico para abater animais num raio de 300 quilômetros de sua unidade, atendendo todos os cooperados", conta.

Atualmente a capacidade do Estado é de 18 mil cabeças ao dia. Dos 36 frigoríficos "sifados" (com Selo de Inspeção Federal – SIF), 16 não estão em atividade, segundo Lemos.

 Organizado
Para garantir o sucesso do empreendimento, uma consultoria fez estudo de viabilidade da cooperativa pecuária de Campo Grande. Além disso, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB-MS) e Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) ficaram a cargo de todo o processo de orientação de formalização do grupo.

Segundo o presidente da OCB, Celso Ramos Regis, o estudo mostrou que é viável deixar de vender boi e passar a vender carne. "Além disso, existe a real necessidade de formar uma cooperativa por conta do atual cenário mercadológico. Os produtores estão vivendo um momento em que há pequeno volume de empresas que dominam esse mercado, e com isso são obrigados a ficar a margem do que eles decidem", explica.

Regis pondera ainda que todos os segmentos, inclusive de outras carnes, como suína e de peixes já possuem cooperativa no Estado. "Já estava na hora de quebrar esse paradigma de que os pecuaristas daqui não têm visão de união", disse.

A cooperativa de carne bovina em processo de formação aqui, segundo ele, é baseada num empreendimento bem-sucedido no Paraná, a Cooperaliança. Outros exemplos de sucesso que inspiraram a criação do grupo em Mato Grosso do Sul estão em Goiás e Minas Gerais.

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