Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

NOVA ESTRUTURA

Pecuarista eleva para R$ 23 milhões doação ao Hospital do Câncer

21 NOV 2010Por MICHELLE ROSSI04h:15

Há dois anos discute-se a construção de um anexo para o Hospital do Câncer Alfredo Abrão, em Campo Grande, e agora parece que a história terá um final feliz. O pecuarista Antônio Morais dos Santos, 88 anos, que inicialmente doaria R$ 5 milhões para a obra e depois triplicou a oferta, passando para R$ 15 milhões, comprometeu-se a doar R$ 23 milhões – valor total para a construção do prédio de 8 andares que será erguido ao lado da atual sede do hospital. Mas, para efetivar a doação, o pecuarista entregou na última sexta-feira um documento aos representantes da unidade oncológica com algumas cláusulas e determinou prazo de resposta dos diretores do hospital até o dia 24/11, próxima quarta-feira.

O Hospital do Câncer Alfredo Abrão é instituição filantrópica administrada pela Fundação Carmem Prudente de Mato Grosso do Sul e informa que 98% de seus atendimentos são feitos por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente são realizados 6 mil procedimentos por mês, e, com o novo prédio anexo ao complexo já existente, a previsão é triplicar os atendimentos na área de oncologia com radioterapia, quimioterapia e procedimentos cirúrgicos, além de atuar na prevenção e diagnósticos de câncer.

Segundo o pecuarista – que já investiu em outras obras beneficentes como a recente reforma da ala masculina do Asilo São João Bosco, na Capital – não havia sentido doar parte dos recursos sem a contrapartida necessária para a finalização do prédio. "O orçamento da construtora que escolhemos (SMR Engenharia) é de R$ 23 milhões para entregá-lo pronto. Disse que doaria os R$ 15 milhões somente se o hospital viabilizasse o restante. Mas, como não houve maneira deles captarem o dinheiro, optei por doar o valor total da obra", justifica o mineiro radicado em Mato Grosso do Sul.

O objetivo, continua Santos, não é construir um elefante branco, erguer paredes, mas ter a certeza de que efetivamente a estrutura vá funcionar e ajudar os pacientes que necessitem de atendimento para tratar o câncer e assim proporcionar maiores níveis de cura e de vida digna aos portadores dessa doença.

 Cláusulas
No contrato que deve ser assinado até a próxima quarta-feira, o pecuarista pede para que seja gravada "clásula de incomunicabilidade, impenhorabilidade do terreno e consequentemente do prédio a ser construído sobre o mesmo não podendo ser vendido, ser dado em garantia, ou mesmo, destinado a outro fim, senão o de hospital efetivamente, seja o tempo que for".

Outra disposição descreve que "em caso de falência, extinção da entidade, impossibilidade de funcionamento, entre outros, que impeçam as atividades do hospital, deverá o prédio e o terreno serem devolvidos ao doador, ou seus herdeiros e sucessores, ou ainda, a terceiro que o doador possa vir a indicar". Outra questão apontada é que um representante do pecuarista seja nomeado para o conselho deliberativo do hospital.

As cláusulas, define o doador do montante de R$ 23 milhões, servem para garantir a funcionalidade do hospital para que o mesmo seja útil à população sul-mato-grossense. "Caso a diretoria apresente os documentos necessários até o dia 24/11 e concorde com as questões postas, no dia 26/11, sexta-feira próxima, faremos o encaminhamento de plantas, alvarás, projetos, bem como todas as documentações necessárias para a contratação da empresa construtora e início das obras", descreve.

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