segunda, 23 de julho de 2018

BALANÇO

Pecuária teve valores recordes em 2010

7 JAN 2011Por Jornal Zero Hora15h:05

O ano de 2010 surpreendeu todos os agentes do setor pecuário, com preços recordes. Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que o volume de abate mensal nos primeiros nove meses do último ano foi maior que em igual período de 2009. Em março, a diferença chegou a 13%, em abril, a 12%, em maio, esteve a 10% e, em setembro, o aumento sobre o mesmo mês de 2009 foi de apenas 1,16%.

O peso médio das carcaças subiu cerca de 2% no primeiro semestre, em julho, estabilizou, e, em agosto e setembro, as carcaças pesaram, em média, 0,5% menos que em igual período do ano anterior. A queda de peso das carcaças no início do segundo semestre indica que o mercado estava absorvendo animais mais leves e isso teria impacto no curto prazo.

Apesar do aumento do volume abatido, a percepção de agentes de mercado era de oferta enxuta ao longo em 2010, especialmente no segundo semestre, agravada pela estiagem severa no Centro-Sul do país. Essa percepção, de fato, era corroborada pelos fortes reajustes dos preços da arroba e da carne.

Após apuração de todos os dados de abate durante nove meses, foi constatado que a força motriz do mercado foi mesmo a demanda, sobretudo a do brasileiro. Quanto às exportações, o volume embarcado de janeiro a dezembro de 2010 foi 2,72% maior que o do mesmo período de 2009. A oferta, portanto, foi coadjuvante. Ainda que crescente, aparentava ser pequena, dado o comparativo com o ritmo de vendas.

Com sucessivas altas de maio a novembro, o Indicador do boi gordo ESALQ/BM&FBovespa acumulou alta de 47,2%, avançando de R$ 79,56 para R$ 117,18, sendo este o maior valor da série do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), iniciada em julho de 1997, em termos reais e valores deflacionados pelo IGP-DI. No mesmo período, a carne com osso negociada no atacado da Grande São Paulo valorizou 51,4%, considerando-se a carcaça casada de boi. O preço médio do quilo a prazo passou de R$ 4,86 para R$ 7,36, também recorde real da série do Cepea iniciada em 2001. Para o traseiro, o ganho foi de 49%, para o dianteiro, de 53% e, para a ponta de agulha, de 60%.

Após os picos em 2010 e 2011, tanto a carne quanto a arroba perderam sustentação, voltando a ter alguns reajustes positivos apenas no final da segunda semana de dezembro. Resistentes aos patamares que os preços atingiram, especialmente dos cortes menos nobres, consumidores passaram a buscar alternativas, o que acabou motivando, inclusive, forte valorização também das carnes de frango e suína. O frango resfriado e a carcaça comum suína valorizaram 43,8% e 18,8%, respectivamente, no segundo semestre.

Nesse contexto, a cautela dos operadores das duas pontas esteve acentuada. Em grande parte do ano, as cotações da arroba oscilaram conforme a entrada e saída de compradores do mercado. Muitos negócios ocorreram basicamente quando havia urgência do comprador ou do vendedor.

A compra de animais de outros estados para abate em São Paulo, bem como a escala de animais de confinamentos próprios e contratados, seguiram a tendência já observada em anos anteriores. No entanto, esse volume, acrescido dos arremates no spot, acabou não sendo suficiente para preencher as escalas de abate dada a demanda, o que resultou nas sucessivas altas ao longo de meses.

A estiagem nas principais áreas pecuárias também agravou dificuldade de negociação de frigoríficos, ficando marcada na história de 2010. As condições desfavoráveis das pastagens também interferiram nas negociações de reposição. Em meados desse ano, a procura por esses animais desaqueceu, principalmente por bezerros.

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