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Campo Grande - MS, terça, 23 de outubro de 2018

Peças versáteis

24 FEV 2010Por 06h:59
Para começar esta matéria, a PhD em biologia molecular pela Unifesp, doutora Lilian Piñero Eça, faz questão de esclarecer que é contra a retirada de células-tronco embrionárias, ou seja, do feto com o sacrifício do mesmo. E ainda ratifica que as células do cordão umbilical são adultas e não oferecem qualquer risco ou dor para a criança ou a mãe. Estas células são capazes de se multiplicar e diferenciar-se nos mais variados tecidos do corpo humano: sangue, ossos, músculos e nervos. “Trata-se de uma maravilhosa descoberta. O que antes era apenas uma esperança de tratamento, hoje, tornou-se realidade consumada. Em linhas gerais, podemos descrevê-las como peças novas que podem substituir defeituosas – isto, porque elas se transformam em qualquer célula do organismo ou se fundem a uma célula doente, tornando-a saudável”, afirma Lilian. De acordo com a doutora, as células- tronco são esperança de tratamento por serem células “coringa”. Isto é, ao entrarem em determinada parte do corpo, recebem o aviso da proteína local e se transformam no tecido lesado. Têm a capacidade de se transformar em vários tecidos do corpo humano, pegando para si funções de células desse local. Segundo Lilian, que preside o Instituto de Pesquisas de Células-Tronco (Ipctron) e co-orienta diversas pesquisas na área, as células-tronco já são utilizadas para tratamento de 45 doenças hematológicas – que não é leucemia, mas anemia – doenças do metabolismo e doenças autoimunes como lúpus, esclerose múltipla, artrite, entre outras, no total de 30. A pesquisadora diz ainda, que estão em fase de estudo avançado (etapa clínica) aplicações na oftalmologia para reversão da cegueira; na neurologia, em casos de paralisia cerebral; na endocrinologia, na solução de doenças do metabolismo, como a diabete; na cardiologia, em pacientes que sofreram infarto; na gastroenterologia, na regeneração do fígado e, na pediatria, para correção de lábio leporino. “Também estamos estudando a aplicação em vários tipos de cânceres e como substituição à quimioterapia. As terapias-alvo que já estão sendo aplicadas fazem parte do início deste processo. Porque com estas terapias matamos apenas o tumor, ou seja, células cancerosas e não as boas. Acredito que, num futuro bem próximo, tenhamos naquelas bolsinhas de quimioterapia não mais drogas e sim células-tronco trabalhadas, sejam elas tiradas da medula, da gordura, do dente ou do cordão umbilical”, exemplifica. Banco familiar Todas as mães podem guardar as células-tronco do seu bebê recém-nascido, exceto as portadoras de hepatite C, HPV, Aids ou que apresentarem outra infecção por vírus ou por bactéria. Assim que se faz a coleta do sangue do cordão umbilical, este sangue já passa por uma bateria de exames e, se houver contaminação, é descartado. Isto significa que não é recomendada a coleta em pessoas com doenças crônicas ou infecciosas. Uma vez armazenadas, estas células têm prazo de validade infinito e podem ser usadas por toda a família, embora a lei permita que o material armazenado seja utilizado somente para a criança da qual foi retirado o sangue do cordão. “A criopreservação é de usufruto autônomo. Mas, na prática, nunca se deixou de fazer transplantes para parentes. Para isso, é necessário fazer pedido judicial. É só uma burocracia”, finaliza Lilian.
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