Campo Grande - MS, segunda, 20 de agosto de 2018

Teatro

Peça de Tennessee Williams será encenada em Dourados

25 MAI 2011Por OSCAR ROCHA00h:01

Um casal em crise. Mesmo convivendo num espaço em comum, a distância entre os cônjuges é cada vez maior. O diálogo existente serve mais para camuflar elementos da realidade do que desnudá-los. É esse o quadro montado pelo dramaturgo americano Tennessee Williams (1911/1983) na peça “Fala comigo doce como a chuva”, que estreou nos palcos americanos em 1953 e somou-se à vasta obra do autor, que apresenta ainda criações como “Gata em teto de zinco quente” e “Um bonde chamado desejo”. Uma nova  montagem do texto estreia hoje, em Dourados, às 20h30min,  integrando a programação da Semana Pedagógica de Artes Cênicas da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).  O local será a Faculdade de Comunicação e Artes.

Tennessee ficou conhecido por colocar em cena dramas marcados pelos conflitos familiares e a impossibilidade das relações humanas. Muitas das suas criações nasceram de experiências pessoais – ele teve um irmão com problemas mentais e, durante sua vida, vários períodos afetados pela depressão. O material que produziu para o teatro também foi adaptado para o cinema. Alguns deles se tornaram clássicos como as peças citadas acima, que tiveram Marlon Brando, Elizabeth Taylor, Paul Newman e Vivian Leigh no elenco. 

O responsável pela montagem de “Fala comigo doce como a chuva” é Nill Amaral, que recentemente dirigiu “A serpente”. Aluno do curso de Artes Cênicas da UFGD, o diretor teve ideia da montagem quando ministrou, em março,  a Oficina de Interpretação Teatral, denominada Mais Palcos e patrocinado pelo Fundo de Investimentos à Produção Cultural, da Prefeitura Municipal de Dourados.

Durante as aulas, Nill utilizou o texto de Tennesse Williams nos exercícios. Segundo o diretor, a crueldade maior da história é que ela fala da desilusão do amor, da solidão e da incapacidade do ser humano em ser feliz.  A encenação tem estrutura baseada no método do “Viw points” de Ana Bougart, sugerindo ao ator um equilíbrio cênico através do treinamento desse jogo. O elenco conta com os atores Paulo Henrique Porto e Arami Marschner. “Não contei com a participação de alunos das oficinas de interpretação. Para essa montagem era necessário atores com mais experiência, como é o caso de Paulo e Arami”.

Segundo Nill, com essa montagem ele pretende consolidar a pesquisa de linguagem na poética da palavra, propondo alternativas para dramaturgias de importantes dramaturgos numa linguagem espacial não convencional. A intenção do diretor é levar a montagem para outras cidades do interior e à Capital. Também não está fora dos planos a apresentação em outros Estados.

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