Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

Pavimentação abre fronteira agrícola

2 AGO 10 - 06h:39
Carlos Henrique Braga, enviado especial a Coxim

O Norte de Mato Grosso do Sul quer sair do isolamento econômico. Para chegar lá, eles escolheram o asfalto da BR-359 como caminho e o eucalipto como combustível

Dentre todos os destinos a que a BR-359 pode levar, o que mais interessa a cidade de Coxim, no Norte do Estado, é  ser grande como Três Lagoas. Esperada há décadas, a pavimentação do trecho entre Coxim e Goiás vai abrir caminhos para a produção agropecuária das dez maiores cidades da região e tirar do isolamento cerca de 4 milhões de hectares destinados à atividade rural, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O asfalto deu impulso aos planos de Coxim, maior cidade da região: em uma década, ela quer tornar-se polo de papel e celulose, como Três Lagoas, geográfica e economicamente distante do isolado e pouco habitado Norte.

Saída para a complicada logística, o asfaltamento da via de 240 quilômetros é possível porque entrou nos planos do Programa de Aceleração do Crescimemento (PAC), do governo federal. Custo: mais de R$ 240 milhões. “A pavimentação é o resgate do desenvolvimento, até então paralisado”, analisa o deputado estadual Junior Mocchi (PMDB). O político encabeça frente, integrada até pela igreja, que prega o sistema agrossilvopastoril como salvação dos produtores, isolados dos grandes centros consumidores. Nesse modelo, o boi pode ser criado em meio a árvores, como o desejado eucalipto.

Pecuária, Coxim tem, e o cultivo de eucalipto entrou com força no rol produtivo. Por enquanto, a economia da cidade é dependente do funcionalismo público e dos aposentados. Nesse cenário, parecido com o de Três Lagoas no passado, floresce o sonho de seguir os passos da cidade líder em exportações. Para isso, a prefeitura mira nas florestas plantadas. “Estamos fazendo estudo de implantação de unidade de transformação do eucalipto”, conta a prefeita Dinalva Mourão (PMDB). Para a administradora, é possível ser um polo de eucalipto em dez anos. Ela pediu ao Governo do Estado que direcione para o Norte empresas de papel e celulose interessadas em instalar-se em MS. Até agora, não há nada concreto.

Hoje, cerca de 20 produzem eucalipto na cidade, segundo gerente do escritório local da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), o engenheiro agrônomo Oscar Serrou Camy Júnior. Porções de terra às margens da BR-359 abrigam maciços florestais de mais de mil hectares. Apesar de pobre em nutrientes, o arenoso solo da região tem, segundo o gerente, boa profundidade para receber as mudas de eucalipto.

O ex-prefeito e engenheiro agrônomo Moacir Kohl é dono da terceira maior área de cultivo da planta (500 hectares). Em 1997, eram 18 hectares. “A atividade é rentável, mesmo em terra ruim”, avalia. “O custo aumenta um pouco, mas não se compara ao boi em rentabilidade”, diz Kohl, que abriu viveiro para vender mudas de eucalipto.
O diretor da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore), Dito Mário, acredita que 70% do desenvolvimento florestal do Estado se dará na região Leste, onde está  Três Lagoas. Portanto, Coxim e suas vizinhas ficarão de fora, pelo menos por enquanto. “Hoje, é mais factível que elas invistam em seringueiras, que geram mais empregos e renda”, recomenda .

A logística vai continuar problemática, mesmo com a nova via. “A probabilidade de uma empresa de papel e celulose se instalar em alguma das cidades do Norte é zero. Se o empresário pode pagar entre 20 e 25 dólares para transportar a partir de Três Lagoas, que está quase dentro de São Paulo, porque ele vai querer buscar de tão longe?”, questiona. O diretor enfatiza que “hoje é assim, mas em cinco ou dez anos, a coisa pode mudar”.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também

MUDANÇA

Serviços sociais e conselhos tutelares atendem em novos números

Conselho Centro teve mudança no telefone, demais continuam os mesmos
Campo Grande registra aumento de casos de tuberculose
DOENÇA

Campo Grande registra aumento de casos de tuberculose

Comercial minimiza vantagem <br>sobre o Corumbaense
ESTADUAL

Comercial minimiza vantagem sobre o Corumbaense

Ministro da Saúde participa de entrega de duas UBS em Bandeirantes
MELHORIA

Ministro da Saúde participa de entrega de duas UBS em Bandeirantes

Mais Lidas