Sábado, 17 de Fevereiro de 2018

ENQUADRADOS

Partidos prometem ser rigorosos com infiéis

29 NOV 2010Por lidiane kober01h:10

Os principais partidos de Mato Grosso do Sul fizeram vistas grossas à infidelidade de filiados nas últimas eleições, mas prometem ser rígidos com os traidores em 2012. Lideranças defendem aplicar com seriedade o estatuto das legendas e expulsar os correligionários que não pedirem votos aos candidatos das siglas. Diante das insatisfações, políticos pedem reflexão e organizam reuniões internas para exigir o cumprimento do código de ética.

"O momento é de promiscuidade entre as lideranças, que estão atuando apenas de acordo com seus interesses", avaliou o presidente regional do PMDB, Esacheu Nascimento. Para ele, o momento é de reflexão. "Quem está insatisfeito, pois não se enquadra com as propostas do partido e com os colegas, deve procurar um outro caminho", sugeriu.

Nas últimas eleições, o senador Valter Pereira (PMDB) foi à televisão pedir votos para o ex-governador José Orcírio dos Santos (PT), principal adversário do governador André Puccinelli (PMDB) na corrida pela sucessão estadual. O próprio governador teve como candidato a deputado federal Edson Giroto, que faz parte do PR. Só que o PR é um partido da base aliada. "Nós temos código de ética e, nas próximas eleições, devemos fazer valer as regras", defendeu Esacheu.

Entre os petistas também houve trocas de farpas durante e depois das últimas eleições. José Orcírio, da mesma forma que outros correligionários, insinuaram que o senador Delcídio do Amaral (PT) e representantes do seu grupo político pediram votos para a "dobradinha" Delcídio e Waldemir Moka (PMDB) na disputa por vaga de senador, deixando de lado o colega de chapa do petista, deputado federal Dagoberto Nogueira (PDT).

Além disso, dizem que Delcídio não se empenhou na eleição de Orcírio. O senador, por sua vez, afirmou que apenas deu o troco ao ex-governador, que, nas eleições de 2006, também não teria se esforçado pela vitória de Delcídio na corrida pela sucessão estadual.

"Se é que teve acerto de contas foi feito em 2010. Daqui para frente temos que considerar esse jogo zerado e constituir um partido com outra visão, fazendo cumprir o que estabelece o estatuto", afirmou o deputado estadual Paulo Duarte (PT). Ainda segundo ele, a traição nas últimas eleições também aconteceu na disputa por vaga de deputado estadual e federal. "Teve gente do PT que apoiou o Edson Giroto (PR) e o Carlos Marun (PMDB)", contou.

"Precisamos estabelecer regras para acabar com esse vale-tudo", declarou Orcírio. Segundo ele, dia 4 de dezembro, em encontro estadual do PT, sua corrente defenderá essa tese. "Não quero promover caça às bruxas, mas exigir o cumprimento do regimento do partido", concluiu.

No DEM, os resquícios das últimas eleições também provocam brigas internas. O deputado estadual Zé Teixeira acusou o presidente do diretório de Campo Grande, vereador Airton Saraiva, de ajudar candidatos do PR na disputa por vaga na Assembleia Legislativa. Saraiva, por sua vez, disse que Teixeira apoiou candidato do PSDB a deputado federal.

"Da forma como está não dá para continuar", disse Teixeira. Para ele, o espírito partidário deve ser premissa indispensável dos políticos. "Quem tem mandato deve cumprir as regras", acrescentou.

Hoje, conforme a maioria dos estatutos partidários, a punição para os filiados infiéis pode ir de uma simples advertência, suspensão à expulsão da legenda.

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