Quinta, 22 de Fevereiro de 2018

SAÚDE PÚBLICA

Parlamentares a favor da indústria de fumo e contra aditivos em cigarros

6 NOV 2010Por DA REDAÇÃO08h:38

Parlamentares ligados aos fumicultores e à indústria do fumo no Brasil se mobilizam para impedir a proibição de adição de alguns produtos aos cigarros, entre eles o açúcar e a amônia. Esses produtos são utilizados pelos fabricantes para tornar o cigarro mais atrativo e menos irritante aos fumantes. Os médicos, no entanto, alertam para os perigos desses aditivos.

O Canadá está pressionando os participantes da Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (COP 4) a impor limites a essa adição. A conferência será realizada de 15 a 20 de novembro, em Punta del Este, no Uruguai.

O deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária, espera que os representantes do governo brasileiro na conferência levem ao encontro uma posição oficial que não prejudique os fumicultores.

A proibição da adição de substâncias ao cigarro prejudicará diretamente 50 mil produtores do fumo tipo burley do Rio Grande do Sul, do Paraná e de Santa Catarina. Esse tabaco, como é curado ao ar livre, perde os açúcares naturais. Com isso, a fumaça do cigarro se torna mais irritante e o sabor do tabaco mais forte. Para tornar esse tabaco mais atrativo, é necessário adicionar açúcar.

Entretanto, a médica Tânia Cavalcante, alerta para o perigo do açúcar nos cigarros. "O açúcar, quando queimado, se transforma em acetaldeído. E o acetaldeído é uma substância neurotóxica e cancerígena que tem o efeito de aumentar o poder da nicotina de causar a dependência", ressalta.

Segundo a médica, essa atuação nociva está descrita em vários estudos científicos. "Por isso, países como o Canadá e os Estados Unidos já adotaram medidas para proibir os aditivos nos cigarros."

Tânia Cavalcante atua na coordenação da Secretaria Executiva da Comissão Nacional para a Implementação da Convenção-Quadro do Controle do Tabaco - um grupo interministerial.

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