Terça, 20 de Fevereiro de 2018

MERCADO

Para Meirelles, é 'questão de tempo' melhora de avaliação de risco brasileiro

6 DEZ 2010Por ESTADÃO22h:41

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse hoje que é "questão de tempo" a melhora na avaliação do risco brasileiro pelas agências de rating (nota).

Segundo Meirelles, o Brasil demonstra indicadores de endividamento público superiores a vários países europeus com avaliação melhor, mas que tem hoje sua capacidade de pagamento questionada pelos mercados. As afirmações foram feitas durante seminário sobre avaliação do risco brasileiro, promovido pela Fundação Getúlio Vargas.

Dirigindo-se à presidente da agência Standard & Poor's no Brasil, Regina Nunes, Meirelles provocou risos da plateia ao cobrar uma avaliação melhor para o país.

"Sem juízo de valor, vamos ver que, claramente, comparados com países europeus, o Brasil tem contratação de rating que está substancialmente menor do que aqueles países que tem dívidas substancialmente superiores. [Vemos que] É uma situação provisória; ou esperamos que [os ratings europeus] sejam revistos de alguma maneira. Ou que a avaliação do Brasil reflita isso", disse Meirelles, .

Meirelles disse ainda que o pacote para frear o crédito, lançado na última sexta, tem como objetivo aproveitar o bom momento pelo qual o país passa evitar que excessos tragam consequências indesejadas ao país daqui um tempo.

"Essas medidas têm de ser tomadas no períodos de expansão e não no período de contração; nesses momentos, ao contrário, o capital precisa ser usado. Tem de se construir provisão nos momentos de expansão. Começa-se a aplicar regras prudenciais visando prevenir que os problemas sejam construídos e venham a aparecer algum tempo depois", disse.

Meirelles encerrou sua participação no evento falando sobre sua saída do BC. "Um dos segredos da atividade no BC é o timing adequado. E o timing de tomar as decisões é importante; é uma das decisões que deve ser tomada precisamente calibrada no timing é a decisão de entrada e de saída. Nada melhor do que a entrada em um momento de crise e a saída como o Brasil vai bem", disse.

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