terça, 17 de julho de 2018

GOVERNO

Para Lula é preciso inaugurar obras

25 OUT 2010Por ESTADÃO17h:57

Em entrevista nesta segunda-feira, 25, após o lançamento do navio de contêineres Jatobá, na zona norte do Rio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não deixará de governar o País por causa das eleições e defendeu a maratona de inaugurações que tem marcado seus últimos meses de mandato. "Se você não vier entregar, não tem sentido governar", declarou o presidente sobre os efeitos eleitorais indiretos das inaugurações.

"Jamais perderia a chance de colocar o Jatobá no mar, e não foi o primeiro navio que eu inaugurei", disse Lula, mostrando-se emocionado com o momento em que o navio foi lançado ao mar. O presidente afirmou que manterá uma intensa agenda de inaugurações até o último dia do mandato. "Eu tenho até o dia 31 de dezembro. Quando vocês começarem a tomar champanhe ao meio-dia, eu vou estar inaugurando obras neste País".

O presidente admitiu que sua agenda de inaugurações tem algum impacto eleitoral, mas frisou que o candidato do PSDB , José Serra, foi governador até o mês de abril deste ano. "O vice dele deve estar inaugurando também, não deve ter muita coisa, mas deve estar", disse Lula. "Cada um nada de acordo com a profundidade do mar." Lula discursou para uma plateia formada por centenas de operários do estaleiro, sobre uma plataforma que ligava o palanque ao casco do navio.

A primeira-dama, Marisa Letícia, cortou a fita que lançou uma garrafa de champanhe contra o navio. O casal pareceu surpreso com o deslizamento do navio do dique para o mar, como se não o esperasse.

Lula acrescentou que deixará um "País embalado" para o seu sucessor, que "só terá que tocar o barco". "Quem pegar o Brasil no dia 1º de janeiro, vai pegar um País com maior robustez econômica", afirmou Lula em resposta a uma pergunta de jornalistas sobre a marca que gostaria de deixar na economia.

Conjunto habitacional. Mais cedo, o presidente trocou o tom de despedida por um discurso de confiança na continuidade de seu governo e promessas para o futuro. Durante entrega de moradias na favela de Manguinhos, na zona norte, Lula anunciou o plano de construção de 2 milhões de habitações populares a partir de 2011 e pediu estudos para uma linha de crédito que permita a famílias pobres ampliarem suas casas.

O presidente não citou a disputa presidencial, mas a festa não escapou do clima eleitoral. Autoridades como o prefeito Eduardo Paes e o governador reeleito Sérgio Cabral, ambos do PMDB, fizeram referências indiretas à candidata do PT, Dilma Rousseff.

Lula lembrou que faltam "dois meses e meia dúzia de dias para deixar a Presidência da República". "A partir do ano que vem, temos 2 milhões de casas para construir no programa Minha Casa, Minha Vida. Eduardo Paes e Sérgio Cabral vão ter muito trabalho", discursou o presidente, no palanque montado no Conjunto Residencial Embratel. Segundo a Caixa Econômica Federal (CEF), em 15 dias os novos moradores poderão ocupar os 328 apartamentos. Lula dirigiu-se ao ministro das Cidades, Márcio Fortes, e ao vice-governador Luiz Fernando Pezão: "Vamos ter que pensar como criar mecanismos através da Caixa Econômica para que possa financiar as pessoas que têm uma casinha em um terreno melhor, mas precisam acabar suas casas."

Mulheres no poder.

Eduardo Paes disse que "é a hora e a vez de as mulheres tomarem o poder", enquanto Cabral afirmou que "o presidente Lula só tem mulher craque ao lado dele". "Nunca vi um homem escolher tão bem suas companheiras de trabalho como Luiz Inácio Lula da Silva", elogiou o governador. Presidente da associação de moradores da localidade Embratel, Leonardo da Silva pediu aos moradores que "pensem bem em como era e como está agora, antes de fazerem qualquer coisa". E concluiu: "Essa parceria tem que continuar, não pode acabar. Vocês sabem do que estou falando, não é?"

O dia do presidente começou com a visita a outra comunidade da zona norte, o Complexo do Alemão, onde entregou 582 unidades habitacionais. Lula exaltou o governo de Sérgio Cabral e destacou ações na área da segurança pública, afirmando que o governador teve "a coragem de enfrentar os delinquentes desse Estado". "Subir morros e tirar os bandidos, sem molestar mulheres e homens de bem, é um trabalho extraordinário", disse Lula.

Dom da vida. Acompanhado de quatro ministros e de Marisa Letícia, o presidente iniciou seu discurso citando Deus. Ele disse que queria agradecer "ao nosso Criador" pelo "dom maior da vida" e também "ao povo do Rio pela reeleição" do governador. Lula criticou antecessores de Cabral e do prefeito Eduardo Paes (PMDB), e reivindicou para si a "mais importante parceria que o Rio já construiu com um presidente da República". Para ele, a "multiplicação dos pães" no Rio se deve a essa parceria da União com os peemedebistas. "Antes, havia sempre a necessidade de contrariar o presidente."

O tom político foi explorado por Cabral, que chamou Lula de "o melhor presidente da história do País". Numa referência indireta à já prometida instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Complexo do Alemão, Cabral declarou que "a paz vai chegar mais cedo do que se imaginava". Ressaltando que "99% dos habitantes do Alemão são gente de bem", o governador afirmou que o Rio não ficará "refém do poder paralelo". Ao comentar a construção de um lugar com cobertura para o depósito de lixo nos condomínios Jardim das Acácias e das Palmeiras, no Alemão, Lula disse que "é tão chique que no meu condomínio em São Bernardo não tem isso".

 

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