sexta, 20 de julho de 2018

SEGUNDO TURNO

Para Lula, debate do aborto e caso Erenice impediram vitória no 1º turno

30 OUT 2010Por ESTADÃO14h:05

 Depois de quase trinta dias de tensão neste segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a demonstrar tranquilidade. A amigos, ele avaliou que o debate do aborto e o caso Erenice Guerra foram os principais obstáculos que impediram a vitória de sua candidata, a petista Dilma Rousseff, no primeiro turno das eleições. Nas últimas 48 horas, Lula fez referências a presidentes mais antigos para comentar o momento de alívio. "Se tudo der certo neste domingo, vai ser uma coisa extraordinária, porque há muito tempo um presidente não faz seu sucessor. Juscelino nem Getúlio conseguiram", disse, Lula, segundo relato do assessor Gilberto Carvalho.

Convidado para participar de uma carreata na manhã deste sábado, 30, na região do ABC, o presidente preferiu passar o dia recolhido no apartamento da família em São Bernardo do Campo. A orientação dada por Lula aos assessores e amigos era para evitar demonstrações de euforia, que passassem a impressão de que o grupo cantou vitória antes da abertura das urnas. "Não há certeza. Há esperança", afirmou o assessor, comedido.

Mesmo a festa de uma possível vitória de Dilma Rousseff foi discutida pelos assessores do governo com discrição. A princípio, um grupo de pessoas mais próximas de Lula acompanhará o resultado das eleições no Hotel Naoum, em Brasília. Lula ficará no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência. A presença de Lula no hotel ou em qualquer outro local de festa na capital dependerá do "clima", segundo Gilberto Carvalho. Ainda pela manhã de domingo, 31, o presidente votará em uma escola pública de São Bernardo do Campo. Logo depois, embarca para Brasília.

O governo avalia que faltou debate político na disputa eleitoral, especialmente no primeiro turno, quando temas de fora da agenda ganharam destaque. "Faltou mais discussão política. Embora tenha todo um desgaste, o segundo turno pelo menos foi importante para mobilizar a militância e mostrar que Dilma não é um apêndice", disse o auxiliar de Lula.

Lula e seus assessores mais próximos reconheceram a dificuldade em entrar na discussão do aborto, quando se viram reféns de grupos religiosos. Gilberto Carvalho, assessor mais ligado à Igreja Católica, disseram porém estar "indignado" com a "profanação de temas sagrados" durante a campanha. "Questões como aborto devem ser discutidas sempre, mas não usadas da forma que foi durante o primeiro e o segundo turno das eleições", reclamou.

Na avaliação de Gilberto Carvalho, o candidato tucano à presidência, José Serra, não conseguiu desmontar Dilma Rousseff nos debates na TV. "O Serra pensou que ia esmagar a Dilma nos debates. Para ser modesto, deu empate", disse.

Antes do debate da Globo, na noite de anteontem, Lula conversou com Dilma por telefone. O presidente fez sugestões e pediu tranquilidade. Um "empate" com Serra no último debate da TV era o suficiente, pois as pesquisas mostravam que ela estava na dianteira, com folga, avaliou o presidente.

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