Domingo, 25 de Fevereiro de 2018

CRÉDITO

Para analistas, medidas diminuem chance de alta na Selic

3 DEZ 2010Por Infomoney15h:55

Além de mexer com as ações do setor financeiro nesta sexta-feira (3), a elevação do compulsório anunciada pelo Banco Central repercute também nas projeções para a taxa Selic.

O Itaú Unibanco diz que "as mudanças diminuem qualquer senso de urgência que o BC poderia ter, reduzindo a probabilidade de aumento nos juros já na semana que vem, um cenário que passou a ser contemplado recentemente pelos mercados". Na mesma linha, a Prosper Corretora afirma que “esse ajuste do compulsório reforça nossa avaliação de que a autoridade monetária deverá manter a taxa básica para 10,75% [ao ano] em dezembro”.

O Barclays, por sua vez, viu o anúncio com surpresa e projeta que a medida já seja um sintoma da elevação da taxa básica de juros no próximo ano, particularmente no primeiro trimestre, no qual se espera elevação da taxa dos atuais 10,75% para 12,25% ao ano.

"Parece mais provável que o BC siga o ritual: sinalizar alta agora, subir em janeiro", dizem em nota Ilan Goldfajn, Guilherme da Nóbrega e Mauricio Oreng, economistas do Itaú Unibanco. Fica mantida a projeção do banco de que o esperado ciclo de alta da Selic terá início em janeiro, com uma elevação da taxa em 50 pontos-base. "É razoável que, em função das medidas de hoje, o aperto total seja menor do que o previsto em nosso cenário atual, de 200 pontos-base", completa o banco.

Para a equipe de economistas do Itaú Unibanco, na prática estas mudanças vão aumentar os custos de financiamento dos bancos, colocar pressão sobre spreads e reduzir o ritmo dos empréstimos, "servindo como um primeiro passo no esperado processo de aperto monetário".

Sobre a influência do aumento do compulsório na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que ocorre na próxima semana, Henrique Meirelles se restringiu a comentar que as decisões do comitê não são antecipadas e que o colegiado decide a partir de uma avaliação macroeconômica, que leva em conta todas as informações disponíveis na economia. Contudo, o atual presidente do BC disse também que estas medidas adotadas são complementares, mas não "substitutas perfeitas" dos tradicionais instrumentos de política monetária.

A inflação pressiona
Homero Guizzo, economista da LCA Consultores, avaliou em entrevista que esta medida visa antecipar-se a um possível acirramento da, já existente, tendência de alta da inflação, bem como prosseguir com a retirada gradual dos incentivos que foram colocados para fazer frente à crise de 2008. O combate à inflação ocorrerá sob a forma de desaceleração da demanda, o que reduz, segundo ele, as chances de aumento da taxa básica de juros, mas o próprio economista ressalta que ainda é muito cedo para qualquer previsão mais exata e que os efeitos da medida encontram-se sob avaliação.

"Houvesse se antecipado um pouco no tempo, certamente teria amenizado as pressões inflacionárias presentes, mas é razoável admitir que poderia se revelar uma decisão politicamente incorreta em tempos de disputas eleitorais", disse em relatório Sidnei Moura Nehme, economista e diretor-executivo da NGO Corretora de Câmbio.

Em nota à imprensa, Alencar Burti, presidente da ACSP (Associação Comercial de São Paulo) e Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo), reconhece que a demanda estava aquecida e que o Banco Central precisava adotar medidas para conter a inflação em alta. "Porém, as novas regras decididas hoje só terão efeito sobre a inflação se o governo fizer a parte dele, que é a ontenção do gasto público. É isso que o setor privado espera".

Influência das eleições
Ainda sobre o teor eleitoreiro da medida, nesta tarde o governador de São Paulo, Alberto Goldman, declarou que as ações do CMN (Conselho Monetário Nacional) foram tomadas de forma tardia justamente para evitar influência no processo eleitoral e beneficiar a campanha da presidente eleita Dilma Rousseff.

"É evidente que houve, no período pré-eleitoral, facilidades que foram dadas de todas as ordens possíveis e imagináveis e a gente sabia que isso não tinha sustentabilidade. Aqueles que conhecem um pouquinho de economia sabiam que o que se estava fazendo era artificial e tinha como finalidade o processo eleitoral: garantir a vitória da candidata oficial", declarou o atual governador de São Paulo em evento de inauguração do Orquidário Professora Ruth Cardoso.
 

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