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domingo, 24 de fevereiro de 2019 - 02h13min

Palco de encontros e despedidas por 37 anos

31 JAN 10 - 07h:30VÂNYA SANTOS
Às 23h40min de hoje sai o último ônibus do Terminal Rodoviário Heitor Eduardo Laburu, no centro da cidade, encerrando assim os 37 anos de atividades, já que ao primeiro minuto de fevereiro entra em funcionamento a Estação Rodoviária Antônio Mendes Canale, na Avenida Gury Marques, região da saída para São Paulo. De acordo com o administrador da antiga rodoviária, Carlos Alberto Laburu, com a saída deste carro as luzes da plataforma de embarque e desembarque de ônibus intermunicipais e interestaduais serão apagadas, o espaço será isolado, a concessão também será encerrada e a área passará a ser de responsabilidade da Prefeitura de Campo Grande, assim como a plataforma de ônibus urbano. “A hora do encontro É também de despedida A plataforma dessa estação É a vida desse meu lugar É a vida desse meu lugar É a vida”. Assim são os versos da composição de Milton Nascimento e Fernando Brant “Encontros e despedidas”. E é assim que a antiga rodoviária marcou a vida de pessoas nessas quase quatro décadas. A construção da rodoviária foi marcada por três momentos importantes antes de sua inauguração, às 20h do dia 16 de outubro de 1976. O primeiro deles ocorreu em 14 de janeiro de 1973 quando o então prefeito Antônio Mendes Canale autorizou o funcionamento da plataforma interurbana, embora menos de um terço de toda a obra tivesse sido concluída. O segundo momento aconteceu em 15 de maio de 1975 quando foi inaugurada a plataforma urbana, na administração do prefeito Levy Dias. A terceira e última fase foi marcada pela entrega dos terminais e condomínio. Durante o lançamento da primeira fase, o professor e jornalista José Barbosa Rodrigues discursou sobre a importância das “velhas, sujas e improvisadas” rodoviárias serem substituídas por uma obra como aquela que ainda estava em construção. Na década de 1940, sem opção, os ônibus de viações como Motta e Baleia, se reuniam para embarque e desembarque em frente ao Hotel Gaspar, localizado no cruzamento da Avenida Calógeras com a Mato Grosso e, as passagens eram vendidas no mesmo espaço onde funcionava a lavanderia do hotel. Obra A construção de todo o complexo durou quase 9 anos – de dezembro de 1967 a outubro de 1976 – e foi então avaliada em aproximadamente 1,5 milhão de cruzeiros. Projeto do arquiteto Adyr de Moura Ferreira, professor da Faculdade de Lins, teve como base construções feitas em São Paulo e Rio de Janeiro e, na ocasião, foi considerado arrojado e moderno. No entanto, posteriormente o prédio precisou ser submetido a reformas para minimizar certos desconfortos que surgiram com o passar dos anos, conforme explicou Carlos Laburu. Nesta época, o local onde atualmente é a região central de Campo Grande era considerado afastado e desvalorizado. O acesso à rodoviária, que foi construída numa chácara, era possível apenas pela Rua Y Juca Pirama, atual Cândido Mariano. Sem a informação precisa de quantas pessoas passaram pela rodoviária desde a inauguração das plataformas, o administrador Carlos disse que somente no período de 1994 a 2008, mais de 11,5 milhões de passageiros utilizaram o serviço de transporte. Hoje, diariamente, cerca de 500 ônibus passam pela rodoviária e o fluxo de pessoas fica em torno de duas mil. Sentimento “É uma sensação estranha de vazio, mas ao mesmo tempo de dever cumprido”, descreveu Carlos Laburu explicando que a rodoviária foi construída para determinada época com divisão do terminal em três pistas e parada ônibus em fila indiana, quando o ideal seria parada em baías. Segundo o administrador, um projeto de revitalização da estação no valor de R$ 1 milhão foi apresentado para autoridades locais, mas “não houve interesse político”. Carlos acredita que se a reforma fosse executada, a rodoviária teria pelo menos mais 15 anos de sobrevida. “Esse sentimento de tristeza e angústia é natural do ser humano. Campo Grande merecia a revitalização dessa ou a construção de uma nova rodoviária porque não é fácil trabalhar assim, mas o prefeito Nelsinho Trad cumpriu seu papel”, ressaltou.
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