Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

SANTA CASA

Pacientes ficam internados semanas a espera de cirurgias

21 DEZ 2010Por NADYENKA CASTRO01h:30

Pode durar semanas a espera por uma cirurgia na Santa Casa de Campo Grande, principalmente na área de ortopedia. Se o caso não é de "vida ou morte", o paciente pode ficar dias internado aguardando vaga no centro cirúrgico. Foi o que aconteceu com Clodoaldo Carvalho Pereira, 30 anos. Ele chegou ao hospital dia 13 de novembro e somente domingo, dia 19 de dezembro, conseguiu fazer cirurgia para consertar a perna quebrada.

Enquanto o enfermo espera, corre risco de "ganhar" uma infecção, fica angustiado, ansioso e teme ficar sem procedimentos médicos adequados. Problemas psicológicos que podem agravar a dor física. "Meu marido ficou muito triste, queria desistir", contou Marcilene Rosa da Silva, 30 anos.

E a espera pode ser longa tanto para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto para aqueles que pagam convênios. Quem não tem um plano de saúde sofre mais: a espera é maior e ainda, se não tiver vaga em quartos, fica no corredor. Quem tem convênio também sofre. É o caso de um rapaz de 19 anos que aguardava uma cirurgia na perna esquerda. Doze horas depois de chegar à Santa Casa, o tio do jovem, que não quis identificar-se nem ele nem o sobrinho, desabafou. "Nós chegamos aqui às 22 horas de sábado. A cirurgia dele estava marcada para 1 hora e ainda estamos aguardando".

Trinta e seis dias
Clodoaldo trabalha em uma fazenda de Nova Alvorada do Sul. No dia 13 de novembro, caiu do cavalo e quebrou a perna. Foi para a Santa Casa e então ele e esposa, atendidos pelo SUS, ficaram sabendo que tinham de esperar por vaga no centro cirúrgico. "Eu sentei na cadeirinha, chorava e o médico dizia, não tem vaga, não tem vaga", declarou Marcilene.

O trabalhador foi internado, ficou alguns dias no corredor e depois foi para um quarto de enfermaria. E a espera continuava. "Primeiro não tinha vaga, depois o material que precisava usar não tinha e por último, o teto (do centro cirúrgico) desabou", diz Marcilene, que saiu de Nova Alvorada, onde deixou os três filhos, para acompanhar o marido. "É dia e noite com ele aqui. Estou com muita saudade dos meus filhos". "Com o passar do tempo, Deus vai confortando a gente".

A angústia do casal começou a ter fim no sábado, dia 18, quando o médico avisou que a cirurgia seria feita no dia seguinte. Por volta das 15 horas, entrou na sala onde foi submetido ao procedimento.

A irmã de uma mulher que se identificou apenas como Odete fez cirurgia no ombro ontem, após 30 dias internada. "A explicação era de que não tinha vaga. Depois o teto caiu", disse.

Conveniado
Morador em Sidrolândia, o rapaz de 19 anos caiu de bicicleta e fraturou a perna esquerda. Ele paga convênio e, mesmo assim, teve que esperar mais de 12 horas para entrar na sala de cirurgia. "Estamos aqui desde ontem e não sei quando vamos sair", declarou o tio do rapaz.

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