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Os deuses do futebol

4 MAI 10 - 07h:32
Há muito tempo não se via uma final de campeonato tão disputada quanto a deste domingo, no Pacaembu. Os pontos corridos, fórmula do Brasileirão, premia o melhor time, mas, como bem lembra meu amigo Onofre Pinheiro, afasta a emoção de um grande mata-mata, como o de ontem!
O acolhedor Paulo Machado de Carvalho – enigmático e magnético – recebeu os dois melhores times de São Paulo de 2010: Santos e Santo André. Santos do futebol moleque e atrevido; Santo André do elenco entrosado e de futebol vistoso.

Os Meninos da Vila vestiram a faixa que tanto mereciam: a faixa de campeão! Seria imperdoável que este Santos entrasse para o rol dos times que deram espetáculo e não foram campeões. Rol formado por Hungria de 54, Holanda de 74, Brasil de 82 e do próprio Santos de 1995.
Naquele 17 de dezembro de 1995 os deuses do futebol tinham certeza que o Santos seria campeão. Talvez, por isso, não foram ao Pacaembu naquela noite. Deu no que deu! Tristeza e revolta à torcida santista e aos admiradores do futebol arte.

Ontem, no entanto, alguns desses deuses fizeram plantão no Pacaembu. Eles estavam ao lado do Felipe nas importantes defesas que o arqueiro fez; ao lado de Edu Dracena, que se redimiu de más atuações e jogou muito no segundo tempo; junto de Arouca ao chutar para escanteio a bola que iria para o gol; e, por fim, ao pé da trave, quando a bola caprichosamente esbarrou-a e não decretou a perda do título do melhor time do futebol brasileiro da atualidade.
O Santo André valorizou por demais o título do Santos. Jogou com os brios à flor da pele. É uma pena que a equipe que foi vice-campeã paulista de 2010 sofrerá um grande desmanche. O Santo André de ontem poderia ter o mesmo brilho do Santos de hoje, eis que naquele elenco tem jogadores habilidosos e de garra.

A torcida santista que assistiu à grande final quase enfartou. Também pudera: três vezes atrás do placar, três jogadores expulsos e cada herói alvi-negro tentando superar o cansaço físico e mental, que atormentavam o time tal qual a boa equipe do Santo André.

Além da falta do suspenso Wésley (como ele fez falta ontem!), nosso grande técnico falhou (em minha opinião) ao não escalar o André. O Santos jogou sem sua identidade e sua vocação: o ataque. Talvez por isso tenha permitido que o Santo André fosse tão ferozmente em busca de seus gols.
Arouca, Neymar e Paulo Henrique foram gladiadores. Seguro como sempre, Arouca evitou uma pressão ainda maior do adversário, além do possível gol que nos tiraria o título – tanto guardando a defesa quanto guardando o gol que ele salvou quase que em baixo das traves.
Os gols de Neymar mostraram o tamanho de seu talento e o futuro que o futebol reserva a este garoto. Não adianta dizerem que ele faz firulas. A firula faz parte do futebol e toda vez que ele parte com a bola dominada contra a zaga adversária, instala-se o “deus nos acuda”. Gols de craque, atuação de homem, choro de menino após o apito final!

Falar do Paulo Henrique é literalmente chover no molhado. O passe magistral no segundo gol do Santos, a armação das jogadas, a retenção da bola no ataque, a falta do meio de campo que quase encobriu o goleiro, o escanteio batido a si mesmo, a recusa a ser substituído... Enfim, foi o grande jogador da final. O melhor homem em campo, o herói de um título, o craque que um técnico teimoso inventa desculpas para não levá-lo à Copa do Mundo!
Este time de garotos que o Santos formou e que, segundo nosso presidente Luís Álvaro Oliveira Ribeiro, será mantido, redescobriu, reinventou e reescreveu o futebol. É a prova de que é possível dar espetáculo e ser campeão. É possível jogar bonito e ganhar títulos. Este time prova que a tese do ‘futebol de resultados’ é uma falácia de medíocres e daqueles que não têm coragem de tentar. Telê Santana sempre esteve certo em 1982...

O título paulista do Santos confirma tudo isso e dá muita tranquilidade para afirmar que os deuses do futebol, esses mesmos que fizeram plantão no Pacaembu neste dia 2 de maio de 2010, certamente, após a partida, foram para a Vila Belmiro comemorar o título com os Meninos, com Dorival Júnior, a torcida Santista e aqueles que amam o futebol bem jogado!

Fernando Ortega, (advogado e jornalista) – fernandoferf@hotmail.com
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