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FAB

Oposição quer que uso de jato seja investigado

9 MAR 14 - 00h:00FOLHAPRESS

A oposição vai pedir à PGR (Procuradoria-Geral da República) para investigar o uso de aeronave oficial pelo ministro Arthur Chioro (Saúde) durante o Carnaval.

PSDB, DEM e PPS consideram que o ministro cometeu ato de improbidade administrativa por ter levado a mulher, Roseli Regis dos Reis, em avião da FAB (Força Aérea Brasileira) a três capitais nos dias de Carnaval: Salvador, Recife e Rio de Janeiro como revelado pela Folha de S.Paulo.

O ministro se deslocou às três capitais para participar de ações do ministério de mobilização e promoção do uso da camisinha durante as festas. Chioro diz que fez uma "maratona'' de quatro dias a serviço do ministério "em prol da prevenção da Aids'' e que levou a mulher para "evitar qualquer situação de exposição indevida''.

Líder do PSDB na Câmara, o deputado Antonio Imbassahy (BA) vai encaminhar a representação à PGR na próxima semana com o pedido de investigação. O documento será assinado pelos três partidos de oposição.

"A presidente Dilma e o ex-presidente Lula sempre tentaram esconder informações de viagens oficiais, que, sempre é bom lembrar, são bancadas com dinheiro público. (...) Como o exemplo vem de cima, o ministro da Saúde, que está no cargo há pouquíssimo tempo, já recorreu ao mesmo expediente. Misturam o público com o privado com uma facilidade surpreendente'', afirmou Imbassahy.

Líder do Solidariedade, o deputado Fernando Francischini (PR) disse que vai apoiar a convocação do ministro no Congresso para explicar o uso da aeronave no Carnaval, o que será feito em conjunto pela oposição. "O ministro está há pouco tempo no cargo e já usa recursos públicos para benefício pessoal. Começou muito mal'', completou Francischini.

Imbassahy também vai pedir à PGR a devolução dos valores gastos com o transporte no avião da FAB. O deputado ainda vai encaminhar pedido de informações ao Ministério da Saúde solicitando a relação dos passageiros que usaram o avião. O líder do PSDB quer apurar se os passageiros são servidores do Ministério da Saúde efetivamente ligados ao programa de prevenção à Aids.

Imbassahy disse que a oposição escolheu a PGR como fórum para investigar a viagem de Chioro porque a Comissão de Ética Pública da Presidência da República demonstrou ser "a comissão da ética da presidente Dilma'' ao evitar abrir investigações contra ministros.

O tucano também vai propor ao Ministério Público a dissolução do colegiado. "No exemplo mais recente, a Comissão de Ética não viu nada de errado no fato de a ministra Ideli Salvatti [Relações Institucionais] ter usado o helicóptero do SAMU para fazer campanha eleitoral. Para evitar péssimos exemplos como esse, é melhor para o país dissolver essa comissão'', disse o tucano.

Imbassahy lembrou que a presidente Dilma Rousseff manteve em sigilo, este ano, escala de viagem feita em Lisboa -onde o governo teve gastos de R$ 27 mil para pagar o hotel da comitiva presidencial.

Aeronave
O decreto 4.244/2002, que disciplina o uso de aviões da FAB por autoridades, diz que os jatos podem ser requisitados quando houver "motivo de segurança e emergência médica, em viagens a serviço e deslocamentos para o local de residência permanente''. O decreto não diz quem pode ou não viajar acompanhando as autoridades.

Na capital baiana, Chioro e a mulher foram ao badalado camarote Expresso 2222, comandado pelo ex-ministro da Cultura Gilberto Gil e sua mulher, Flora Gil. A assessoria da pasta diz que o Expresso 2222 foi parceiro do ministério na campanha, "para a qual contribuiu com apoio à distribuição de preservativos e veiculação de peças e depoimentos da campanha publicitária''.

O ministro também passou no camarote do governador Jaques Wagner (PT). No Rio, esteve no bloco Sargento Pimenta para participar de ação de prevenção a Aids. A assessoria de Chioro afirma que a mulher do ministro o acompanhou nos compromissos oficiais "sem qualquer custo adicional aos cofres públicos''. Segundo a pasta, os hotéis foram pagos com as diárias de R$ 2.541,88 recebidas pelo ministro.

Além da mulher, a comitiva oficial foi composta por assessores do gabinete do ministro e do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais da pasta, totalizando 11 pessoas, segundo a previsão de passageiros registrada pelo site da FAB.

Na agenda oficial do ministro, porém, Roseli não aparece entre os integrantes da comitiva. No dia 1º, no trajeto de Recife para Salvador, a lista registra quatro assessores e um fotógrafo.

No dia seguinte, de Salvador para o Rio, uma assessora e um fotógrafo. Não há agenda na página do ministério para o dia de volta da comitiva, em 4 de março.

Quando assumiu o ministério, Chioro teve que se afastar de sua empresa de consultoria, que atuava na área de saúde e da qual ele era sócio-diretor desde 1997. Cedeu suas ações para a mulher, que é agora a sócia majoritária. 

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