Sábado, 16 de Dezembro de 2017

PETROBRAS

Oposição planeja viagem à Holanda para buscar documentos

15 FEV 2014Por FOLHA PRESS14h:15

Líderes da oposição na Câmara estão planejando criar uma comissão para ir à Holanda buscar documentos e informações sobre o suposto envolvimento da Petrobras com a SBM Offshore, empresa holandesa que teria subornado a estatal brasileira.

Na próxima terça-feira, os deputados apresentarão um requerimento à Mesa Diretora para que a Câmara designe uma comissão formada por até cinco parlamentares para viajar. De acordo com o líder do DEM, Mendonça Filho (PE), a missão é importante para esclarecer as denúncias e aprofundar as investigações no Brasil.

"É uma denúncia muito grave contra a Petrobras, que se envolve mais uma vez em um caso de corrupção. Isso é só a ponta de um novelo. A saúde da Petrobras está comprometida por má gestão mas também por esse envolvimento em casos de corrupção", disse.

O requerimento terá que ser analisado por outros líderes partidários e pode passar pelo crivo do plenário da Câmara. Como o governo tem maioria na Casa, Mendonça Filho admite que, caso não consigam autorização para viajar, podem encampar a missão por conta própria.

"Se porventura o governo bloquear a aprovação do requerimento, vamos buscar outros caminhos próprios. Mas não acredito que isso vá acontecer porque assim o governo estaria atuando para encobrir um caso de corrupção", afirmou.

Os deputados cogitam ainda, incluir no roteiro, paradas na Inglaterra e nos Estados Unidos. Os dois países também estão investigando casos de suborno pagos pela SBM em três países.
Segundo Mendonça Filho, o primeiro passo será colher as informações e analisá-las.

Dependendo das conclusões iniciais, será possível até mesmo determinar a abertura de uma CPI.

Mendonça Filho explicou ainda que não está definido quem irá integrar a comissão, que pode ser formada por parlamentares ou somente assessores representando os partidos. O deputado afirmou ainda que o governo pode indicar seus representantes para integrar o grupo, já que a intenção é o esclarecimento de uma denúncia. "Acho que [a comissão] deveria ter representação ampla", disse.

Ontem, o PSDB ingressou na Procuradoria-Geral da República com uma ação pedindo que seja investigada a suspeita de que a holandesa SBM Offshore, que aluga plataformas flutuantes a companhias como a Petrobras, teria pago suborno a empresas em vários países, incluindo o Brasil.

O líder do partido na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), entrou ainda com pedidos de informações aos Ministérios da Justiça e de Minas e Energia sobre o caso.
A Petrobras informou que vai "averiguar a veracidade dos fatos", mas não deu detalhes de como se dará a apuração, apontando apenas que "tomará providências internas cabíveis".

Denúncia

Na quinta-feira, o jornal "Valor Econômico" informou que, além das investigações nos três países, um suposto ex-funcionário da empresa holandesa havia revelado detalhes do esquema em uma postagem na Wikipedia, em outubro de 2013.

A postagem relaciona a Petrobras entre as empresas para as quais a SBM teria pago propina, com volume da ordem de US$ 139 milhões, entre os anos de 2006 e 2011. Segundo o material, o objetivo, basicamente, era acelerar o fechamento de contratos.

No ano passado, a SBM havia informado aos investidores que corria o risco de ser condenada pela justiça nos Estados Unidos e na Holanda em investigações sobre "indicações de substanciais pagamentos", em "práticas comerciais impróprias", feitas "majoritariamente por intermediários". A empresa diz que descobriu os pagamentos em investigação interna e que voluntariamente levou as informações à Justiça nos dois países. A SBM informa, apenas, que foram identificadas em "dois países da África e um fora da África".

Também no ano passado, a SBM fechou contrato para afretar duas plataformas para atender o campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos. O contrato vale por 20 anos e tem valor de R$ 3,5 bilhões.

As plataformas serão entregues em 2015 e 2016. Na ocasião, o presidente mundial da SBM, Bruno Chabas, destacou "a rapidez entre a carta de intenção e a assinatura do contrato, que demonstra o compromisso da Petrobras e da SBM para rapidez na conclusão do projeto". A negociação havia levado três meses. 

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