Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

Operação Mãos Limpas teve dois infiltrados

12 SET 10 - 14h:42
Brasília

A Operação Mãos Limpas, que prendeu na sexta-feira o governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), o ex-governador Waldez de Góes (PDT) e outras 16 pessoas, usou dois agentes infiltrados que colheram provas de corrupção consideradas “inquestionáveis”. Em uma filmagem secreta, a PF gravou um funcionário do governo pegando a porcentagem dele na propina e indo tranquilamente depositar o dinheiro na conta bancária particular de um banco.
A investigação foi deflagrada em agosto do ano passado, mas os 18 mandados de prisão, 87 mandados de condução coercitiva e 94 mandados de busca e apreensão foram todos executados anteontem no Amapá, Paraíba e São Paulo. Todos os presos - além dos governadores, secretários, assessores especiais e servidores públicos de carreira - foram transportados na noite de sexta-feira (10) para Brasília e encarcerados na Superintendência da PF e no presídio da Papuda. Além da fartura de filmagens e das escutas produzidas ao longo de dois meses, a operação da PF já tem 30 laudos periciais com cruzamentos sobre movimentação financeira dos envolvidos no esquema de corrupção, a origem e o destino final do dinheiro público e depoimentos com documentos em anexo mostrando como as primeiras damas, os secretários e assessores recebiam propinas como se fossem pagamentos mensais de salário. Um dos casos de fraude mais bem documentados envolve a Secretaria de Educação e um contrato de cerca de R$ 1 milhão para fornecimento de 200 filtros para melhorar a qualidade da água que os alunos bebem nas escolas estaduais do Amapá. A meta era instalar um desses filtros especiais em cada uma das escolas.
O contrato dos filtros, como quase todos que eram fraudados nas licitações estaduais, tinha “caráter emergencial” e era dirigido a uma única empresa, a que aceitava pagar propina ao governo. Em vez de instalar os filtros, a empresa, com consentimento da secretaria, instalou uns tubos coloridos de PVC com areia e carvão que, em vez de filtrar, contaminava a água consumida pelos estudantes.
O ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que preside o inquérito, autorizou as prisões das autoridades considerando “a maturidade das provas” colhidas pela investigação da PF, do Ministério Público, Receita Federal e Controladoria-Geral da União (CGU). Levando em conta o calendário eleitoral, Noronha, também determinou a antecipação das prisões.
Pelo calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que é a autoridade máxima do pleito nacional de outubro próximo, a partir do próximo sábado, dia 18, nenhum candidato, membro de mesa receptora e fiscal de partido poderá ser preso, salvo em flagrante delito (Código Eleitoral, art. 236, ? 1º). Diante da iminência da prisão de toda a cúpula do governo do Amapá e também de candidatos ao Senado, a vice e outros cargos na eleição do próximo dia 3, o ministro Noronha decidiu que a PF tinha de antecipar as prisões previstas inicialmente para acontecer ao longo desta semana. A Operação Mãos Limpas detectou que, sob o comando do próprio governador Pedro Dias, que era vice de Waldez antes de este se desincompatibilizar para concorrer ao Senado, a máquina do Estado era dominada por uma quadrilha de altos funcionários que fraudavam 9 em cada 10 licitações, superfaturando os contratos, cobrando e distribuindo propinas abertamente.
O acerto prévio na escolha de empresas era tão escancarado que uma única empresa de segurança e vigilância manteve um “contrato emergencial” por três anos com a Secretaria de Educação do Estado. O valor da fatura mensal com a secretaria era de R$ 2,5 milhões. A PF mapeou os pagamentos e tem provas de que o dinheiro era desviado para contas particulares dos políticos e assessores do governo.
Na casa do presidente do Tribunal de Contas, José Júlio de Miranda Coelho, em João pessoa (PB), a PF recolheu uma Ferrari, uma Maserati, duas Mercedes Benz e um Mini Cooper. A PF recolheu nas casas dos empresários, secretários, servidores públicos e assessores especiais do governo do Amapá mais de R$ 1 milhão em espécie - dinheiro recolhido em cofres particulares, gavetas e caixas e que foi encontrado na execução dos mandados de busca e apreensão.
Dois irmãos do atual governador também foram alvo de mandados coercitivos. A PF executou, além das 18 prisões, 87 mandados de condução coercitiva e 94 mandados de busca e apreensão.
Esse artigo foi útil para você?
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também

BRASIL

Justiça nega pedido para instalação de barreiras contra o óleo no litoral de Sergipe

BRASIL

Palácio tenta 'trégua' com ala bivarista

BRASILEIRÃO 2019

Presidente do Santos quer reunião com Ceará para repudiar atos racistas

Bombeiros encontram corpo de 8ª vítima de desabamento em Fortaleza
BRASIL

Bombeiros encontram corpo de 8ª vítima de desabamento em Fortaleza

Mais Lidas

Gostaria-mos de saber a sua opinião