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Campo Grande - MS, terça, 11 de dezembro de 2018

Fukushima

Operação em usina fere 19 e expõe 20 à radiação

17 MAR 2011Por folha online14h:35

Ao menos 19 trabalhadores ficaram feridos e outros 20 foram expostos à radiação durante as operações para reativar o complexo nuclear de Fukushima, em meio aos esforços das autoridades japonesas para impedir um desastre nuclear, informou a agência de notícias Xinhua nesta quinta-feira.

Outros dois funcionários estariam desaparecidos. No sábado (12), mais três casos de pessoas expostas à radioatividade haviam sido registrados, de acordo com a agência japonesa Kyodo.

A companhia Tepco (Tokyo Electric Power Co.), que administra o complexo, alertou a agência de segurança nuclear do Japão que o nível da radiação no reator 1 de Fukushima excedeu o limite legal. A radiação no local seria de 882 microsievert (msv) por hora, acima do nível máximo permitido, de 500 microsievert (msv) por hora. A agência também informou que o reator 3 da usina (ao todo, são seis) perdeu totalmente a capacidade de resfriamento.

A Tepco tenta restabelecer a corrente de energia elétrica da central nuclear, o que permitiria ativar as bombas para resfriar os reatores e encher as piscinas onde fica mergulhado o material radioativo. Os sistemas de resfriamento falharam na sexta-feira.

Para tentar conter um desastre nuclear, helicópteros do Exército japonês lançaram jatos d'água sobre o Fukushima, principalmente sobre o número 3.

  NHK TV/AFP  
Helicóptero da Marinha lança água para esfriar reatores na usina de Fukushima
Helicóptero da Marinha lança jatos de água para esfriar reatores na usina de Fukushima, no Japão

As piscinas têm menos água uma vez que a temperatura começou a subir. Ao invés de registrar cerca de 30ºC de costume, o tanque atingiu os 80ºC. O risco, com a evaporação e as piscinas vazias, é de que as varetas com material nuclear, ainda um pouco isoladas do exterior pelo líquido, deixem de estar submersas. Se mais água de resfriamento não for colocada rapidamente (ou a temperatura baixar), as barras de combustíveis vão se desgastar e emitir dejetos muito radioativos diretamente na atmosfera.

De acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a temperatura nas piscinas de resíduos nucleares dos reatores 4, 5 e 6 é muito superior ao permitido, chegando a triplicar sobre o recomendado.

A preocupação maior com o reator 3 se deve ao fato de ele ser o único da usina que usa plutônio como combustível. Segundo pesquisas do governo norte-americano, o plutônio é muito tóxico para os seres humanos, e uma vez absorvido na corrente sanguínea, pode permanecer por anos na medula óssea ou no fígado e até mesmo causar câncer.

Além dos helicópteros, com a ajuda de bombeiros e policiais, funcionários da Tepco pretendiam alcançar a piscina com a ajuda de um caminhão-tanque equipado com um canhão d'água. Segundo a televisão pública NHK, isto não foi possível justamente devido ao nível elevado de radiação.

PREOCUPAÇÃO DOS EUA

O chefe da Comissão Reguladora Nuclear americana (NRC), Gregory Jaczko, disse nesta quarta-feira que a piscina de armazenamento de combustível usado no reator de Fukushima não tem mais água, o que gera níveis de radiação "extremamente altos".

"Nós acreditamos que a região do reator possua altos níveis de radiação", disse ele. "Será muito difícil que trabalhadores de emergência consigam chegar até o local. As doses [de radiação] às quais eles podem ser expostos seriam potencialmente letais em um período curto de tempo", acrescentou. No entanto, Jaczko ressaltou que a NRC tem "acesso limitado" ao que está acontecendo no Japão, e se recusou a especular mais sobre o assunto.

Um dirigente do Instituto francês de Radioproteção e Segurança Nuclear (IRSN), Thierry Charles, afirmou por sua vez que após dois incêndios no prédio que comporta o reator, a piscina ficou "quase ao ar livre" e uma grande radiação escapa do local.

No entanto, a agência de segurança nuclear do Japão e a Tepco rejeitaram as afirmações de Jaczko. De acordo com o porta-voz do complexo das usinas Hajime Motojuku, as condições são "estáveis".

RISCO DE APAGÃO

Para piorar a crise, o governo japonês alertou sobre o risco de um possível grande blecaute nesta quinta-feira na região de Tóquio em decorrência dos problemas de provisão elétrica. Por isso, foi pedido que as operadoras de trem da área suspendam o serviço na parte da tarde e que as empresas reduzam o consumo, segundo o ministro da Indústria japonês, Banri Kaieda, citado pela agência local Kyodo.

A situação se complicou ainda mais com o aumento do consumo de eletricidade devido à forte queda das temperaturas desde a noite de ontem, o que gerou o temor de que a demanda de energia supere a oferta.

Nesta quinta-feira, a quatro dias do início da primavera, prevê-se que a temperatura em Tóquio fique próxima a 0ºC à noite, como já ocorreu ontem.

O panorama fez com que duas operadoras de eletricidade japonesas passassem a fazer cortes no abastecimento, com duração entre três e seis horas, em parte do território, além de pedir que os japoneses reduzam o consumo, embora prejudique este esforço.

Há quatro dias, cortes de luz estão ocorrendo na região de Kanto, na qual se encontra Tóquio, para tentar impedir grandes blecautes. A área metropolitana de Tóquio é habitada por mais de 30 milhões de pessoas, que utilizam os trens para chegar a seus locais de trabalho, mas, desde a crise gerada pelo terremoto, muitas pessoas optaram por trabalhar de casa.

Cerca de dez milhões de lares serão afetados hoje pelos planos de cortes de energia da Tepco, segundo a agência local Kyodo.

VÍTIMAS

O balanço oficial do terremoto e tsunami, seis dias depois da catástrofe, chegou a 5.178 mortos e 8.606 desaparecidos. No entanto, apenas na cidade de Ishinomaki, o número de desaparecidos alcança 10 mil pessoas, segundo autoridades locais.

O número de feridos é de 2.285, enquanto mais de 88 mil casas e edifícios foram destruídos, total ou parcialmente.

As autoridades japonesas também precisam enfrentar a crescente impaciência dos cerca de 500 mil desabrigados, ante a escassez de água potável e alimentos, apesar da mobilização sem precedentes de 80 mil soldados, policiais e socorristas.

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