domingo, 15 de julho de 2018

saúde

OMS escolhe tecnologia brasileira para exame

22 NOV 2010Por AGÊNCIA ESTADO, SÃO PAULO05h:10

Um kit para exames parasitológicos desenvolvido no Brasil foi escolhido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) uma das oito tecnologias mais inovadoras existentes no mercado mundial. Outras sete invenções ainda em fase de desenvolvimento também foram selecionadas.

Com o objetivo de identificar dispositivos de saúde inovadores e acessíveis a países de média e baixa renda, a OMS realizou no início do ano uma espécie de concorrência mundial. Uma equipe de especialistas internacionais avaliou 84 produtos, enviados por 29 países.

O brasileiro Paratest foi o único representante da América do Sul entre os escolhidos. O inventor do kit, o pesquisador José Carlos Lapenna, explica que sua estrutura compacta permite realizar os testes nos locais mais remotos, como uma tribo indígena por exemplo, e a um preço relativamente baixo: cerca de R$ 1,70.

Enquanto um exame parasitológico convencional tem em média 12 etapas, o Paratest sintetiza vários passos em praticamente um só. O laboratorista precisa apenas dissolver a amostra no próprio frasco, por agitação, e verter algumas gotas na lâmina para o exame microscópico.

O método evita o mau cheiro, possíveis contaminações durante a manipulação das fezes e facilita o descarte de material biológico. "Dessa forma, é possível realizar muito mais exames em um reduzido espaço físico e de tempo e a um custo mais baixo que os métodos tradicionais", explicou o pesquisador. "O teste veio para facilitar a vida de todos os países de baixa e média renda", diz ele.

Lapenna também afirma que a precisão do teste chega a 100%, mas o secretário da Sociedade Brasileira de Parasitologia, Alverne Passos Barbosa discorda. "Qualquer laboratório que tenha bom senso usa três tipos de exames para fechar um diagnóstico: um específico para larvas, um específico para protozoários e um método polivalente. O Paratest é uma simplificação do processo, diminui muito a sensibilidade", critica Barbosa.

Entre os outros produtos escolhidos pela OMS estão uma unidade de fototerapia que utiliza lâmpadas de LED (que são mais eficientes), um sistema de irrigação de feridas com soro fisiológico e um sistema de apoio a quem deseja parar de fumar por meio de mensagens de celular.

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