sábado, 21 de julho de 2018

Obra de parque está abandonada e frustra sonho de moradores

18 OUT 2010Por MICHELLE ROSSI05h:20



O sonho de ter um complexo esportivo-cultural na Vila Almeida, região oeste de Campo Grande, materializou-se em um grande elefante branco localizado na Avenida Engenheiro Amélio Carvalho Baís, 1.700. O conjunto poliesportivo começou a ser construído em 2006 pelo governo do Estado e seria mais uma unidade a seguir os moldes – em menor dimensão – dos Parques Jacques da Luz (Bairro Moreninhas) e Ayrton Senna (Jardim Aero Rancho), mas hoje é uma estrutura abandonada com espaços propícios para criadouro do mosquito da dengue.
O local só não é ocupado por vândalos porque guardas municipais fazem a segurança 24 horas por dia. O prédio conta com 10 ambientes, nos quais provavelmente seriam instaladas salas de aula e administração da unidade. Um galpão com tamanho aproximado de uma quadra poliesportiva também foi erguido e hoje serve para abrigar brincadeiras das crianças do bairro em meio ao matagal do local.
Aos fundos, dois buracos onde seriam instaladas as piscinas do complexo – inclusive uma olímpica – continuam intactos na terra, mas o temor é que com as chuvas haja acúmulo de água novamente, o que transforma o local praticamente numa lagoa. “Todo ano esse projeto de piscina preocupa a gente. Na minha casa a maior parte pegou dengue, pelo menos, duas vezes. Eu peguei 3 vezes e acho que tem a ver com a sujeira desse prédio”, disse a manicure Luzanira de Castro Chagas, moradora há mais de uma década da casa que divide muro com a obra abandonada.
O mato bastante alto no entorno do muro do complexo também é problema para os moradores. “Quando o mato cresce nós é que temos de capinar para afastar o risco de termos ainda mais transtornos com bichos aqui em casa”, reclamou Luzanira.

Frustração
Moradores que esperavam desfrutar da infraestrutura do novo parque sentem-se frustrados com a obra paralisada. “Isso era para ser um ponto de encontro, um local para nossas crianças praticarem esportes, mas acabou se transformando num prédio sem função”, afirmou Camila Aparecida, moradora das proximidades do complexo inacabado.
Outro morador, José Buiz, informa que várias ocupações já foram pensadas para o local e que a associação de moradores do bairro também já fez pedidos para que as obras fossem retomadas, sem sucesso. “Uma vez até correu o boato que uma unidade do Corpo de Bombeiros seria transferida para cá, mas isso não se confirmou”, aponta.
Nos finais de semana,  algumas crianças utilizam a estrutura para brincar, a maior parte delas acompanhada pelos pais. No entanto, a sujeira do local confunde-se com a proposta inicial do projeto, o de se exercer uma função educativa. “Isso que eu falo para os meus filhos. A gente tem de cobrar as coisas até conseguirmos. A conclusão dessa obra vai ser como se realizássemos um sonho aqui no bairro”, continua José, que é pai de dois meninos, um de 7, outro de 10 anos.

Leia Também