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Paquistão

Obama diz que Bin Laden teve rede de apoio

8 MAI 2011Por FOLHA ONLINE16h:27

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que Osama bin Laden, morto pelas Forças Armadas americanas, contou necessariamente com "alguma rede de apoio no Paquistão", onde estava escondido, mas admitiu desconhecer quem teria fornecido essa ajuda.

"Não sabemos se podem ter sido algumas pessoas dentro ou fora do governo. Isso é algo que temos de investigar e, mais especialmente, que o governo paquistanês deve investigar", disse Obama em entrevista concedida ao programa "60 Minutes", da emissora "CBS".

No programa, que será transmitido integralmente neste domingo mas já teve trechos antecipados, o líder americano falou pela primeira vez sobre a possível relação do líder da Al Qaeda --que se encontrava em uma residência a cerca de 100 quilômetros de Islamabad-- com membros do governo ou das Forças Armadas paquistanesas.

"Já o comunicamos [ao governo paquistanês] e eles nos disseram que têm profundo interesse em conhecer que tipo de rede de apoio Bin Laden pôde ter tido", destacou Obama.

"Mas essas são questões que não vamos poder responder em três ou quatro dias após o ocorrido. Levaremos um tempo para podermos aproveitar o material de inteligência que conseguimos obter", explicou o presidente americano.

Críticas

O assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Tom Donilon, disse neste domingo à rede de TV americana "NBC" que os Estados Unidos ainda precisam de provas de que o Paquistão sabia que Osama Bin Laden se escondia em seu território --mas o país deveria ter investigado a "rede de apoio" que protegia o líder da Al Qaeda.

"Havia alguma rede de apoio em Abbottabad, Paquistão", destacou. "Não vimos provas de que o governo soubesse disso, mas eles deveriam ter investigado".

Bin Laden foi morto no domingo passado, em uma operação das forças especiais americanas contra a casa onde se refugiava, na cidade paquistanesa de Abbottabad.

O que precisa ser apurado neste momento, ressaltou, "é que Osama Bin Laden estava nessa cidade há seis anos, a 35 milhas (50 quilômetros) de distância da capital do Paquistão --Islamabad--, em uma cidade que é conhecida como um centro militar, onde há uma academia militar muito importante".

A ação contra o chefe da rede terrorista que planejou os atentados de 11 de setembro de 2001, procurado pelos Estados Unidos há 10 anos, levantou suspeitas sobre os serviços de inteligência do Paquistão, formalmente um aliado de Washington.

"Não vi evidências que nos digam que dirigentes políticos, militares ou membros da inteligência soubessem de Bin Laden", disse Donilon, para quem a Al Qaeda ainda não foi derrotada, apesar da eliminação de seu chefe.

"A esta altura, não podemos declarar que a Al Qaeda foi estrategicamente vencida", estimou o assessor do presidente Barack Obama.

"Eles continuam sendo uma ameaça para os Estados Unidos. Entretanto, marcamos um ponto realmente importante no que diz respeito à queda desta organização", afirmou.

Reiterando os comentários feitos pelo Pentágono no sábado a respeito dos documentos apreendidos na casa de Bin Laden em Abbottabad, Tom Donilon descreveu o material como "um verdadeiro tesouro".

"De acordo com o que a CIA nos diz, tem o tamanho de uma pequena biblioteca universitária", disse.

"Se descobrirmos qualquer informação sobre o planejamento ou ameaças iminentes, obviamente agiremos".

"É absolutamente crucial nos mantermos vigilantes enquanto continuamos a pressionar esta organização", disse Donilon, ponderando que, apesar disso, a morte de Bin Laden foi "um forte golpe" contra a Al Qaeda.

Sobre Ayman Al-Zawahiri, o médico egípcio considerado número 2 da rede terrorista, Donilon argumentou que ele não é, "nem de perto, o líder que Osama Bin Laden foi".

"Como organização, eles precisam trabalhar em alguma espécie de sucessão agora", indicou.

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