Segunda, 19 de Fevereiro de 2018

música

O reggae pede passagem

28 OUT 2010Por OSCAR ROCHA00h:00

A cena musical campo-grandense – mesmo sem que muita gente se dê conta – é marcada por várias segmentações. A cena pop rock é um exemplo: apresenta estilos  traduzidos por adeptos fiéis e locais próprios para cada gênero.

Há desde o blues, passando por formações indie, até grupos com inclinações para o pop, sem contar aqueles que defendem o rock tradicional com ritmos locais e o pessoal do samba rock. Neste cenário, o reggae também pede passagem e busca conquistar público cativo. Nos últimos anos, além do surgimento de bandas e artistas, também apareceu a equipe de som e espaços próprios, mostrando que o ritmo jamaicano quer mais destaque na agenda musical da Cidade Morena.

O Louva Dub não só aposta no ritmo como apresenta variação pouco conhecida dos não iniciados. Com três anos de estrada, transita não só pelo reggae mais tradicional como pelo termo que ostenta no nome, o dub. “Ele é uma variação do reggae, com remixes e mistura com elementos eletrônicos”, explica Lauren, a vocalista do grupo.

Inicialmente, a formação apareceu como  trio – guitarra, baixo  e bateria – aliado à percussão programada. O repertório destacava temas instrumentais. Com o passar do tempo, ganhou vocalista, além de saxofone, flauta, teclado e letras nas bases instrumentais. Hoje, conta com seis integrantes – Lucas Gabriel (sax), Gleiton Berbet (guitarra/flauta), Daniel Geleilate (baixo), Chico Simão (bateria) e Alex Domingos (teclado), além de Lauren.

As performances ostentam composições próprias e cuidados cênicos, tanto que têm conceitos diferentes para os shows em bares e teatros. “Quando nos apresentamos em teatro levamos cenário, fazemos entrada diferente e apresentamos poemas nas canções”, diferencia a vocalista. O tempo de trajetória possibilitou a ampliação de repertório. Atualmente, as canções levam a assinatura dos integrantes, com isso, o plano principal é a gravação de CD. “Montamos um estúdio recentemente, onde ensaiamos e gravamos algumas coisas. Neste espaço, também podemos testar efeitos”.

O grupo disponibilizou há alguns dias o clipe da música “Linda flor” na internet. Por sinal, a rede mundial de comunicação está servindo de via importante para o Louva Dub. “É um espaço perfeito para nossa divulgação e tem possibilitado contatos positivos”.

Improvisação
Um dos elementos importantes da cultura reggae, o sound system – equipamentos com caixa de som, picapes e a participação de DJs, mestre de cerimônia (MC) e músicos convidados –  também apresenta sua face campo-grandense. O Rockers Sound System surgiu em 2008 e realizou várias festas em chácaras e espaços alternativos. “O sistema de som, como dá para ser traduzido o conceito, surgiu na Jamaica e serviu para divulgar o reggae. Há a discotecagem do som e também há participação de MCs, cantores e outros músicos. Há muita improvisação com o ‘freestyle’, assim como muitos compositores testam seus materiais ao vivo. Caso o material funcione, há possibilidade de gravá-lo”, explica o coordenador do projeto Diego Manciba.

Ele conta que já promoveu festas com público de 400, 550 pessoas. Atualmente, a Rockers Sound System é responsável pelas “Noites jamaicanas”, que acontecem às quintas-feiras na Rockers Sound Bar, Avenida Manoel da Costa Lima, 38.  “Mesmo  surgido na década de 60 e espalhado pelo mundo, o reggae ainda se apresenta como novidade para o grande público, principalmente, essa parte mais experimental”, aponta Diego. Ainda participam da equipe Thiago Hall Fyah (DJ), Rebel (DJ) e  Pedro Quatroevinte (MC).  

Para Lauren, o reggae, assim como outros gêneros do rock e do pop, não consegue espaço mais amplo por preconceito de alguns locais que somente apresentam sertanejo. “Claro que nem todos vão gostar, mas muita gente ao entrar em contato pode também curtir esse tipo de som. Em nosso caso, tem o aspecto de ser autoral, reforça a qualidade do artista local”. Ela também aponta outros artistas que colocaram o reggae em destaque em Campo Grande como Vinil Moraes, atualmente morando em São Paulo, que, durante algum tempo, liderou o Doutrina Reggae, e Vagner Abreu.

Banda Xaraiês é adepta do reggae clássico
O que pode ser mais positivo para uma banda iniciante, ainda desconhecida? Ganhar um festival, por exemplo. Foi isso o que aconteceu com a Xaraiês, adepta do reggae, formada no início do ano por músicos que já circularam por outras formações da Capital e de outros estados. A canção “Essa luz”, além de ficar com a primeira colocação na última edição do Festival Universitário da Canção, ainda deu o prêmio de Melhor Intérprete para Paola Calderaro.

A composição segue a cartilha do reggae roots ou, como os integrantes chamam, “reggae clássico”, aquele de  jeito mais simples, sem muito ornamento eletrônico. A história da banda está centrada no encontro do guitarrista e vocalista Marco Lopes e do tecladista Alex Domingos, que anteriormente tocaram em outros projetos. “Estou em Campo Grande há 7 anos, vim de Marília, mas antes passei por São Paulo. Por lá, tocava em bares, como fiz depois por aqui. Eu e o Alex já nos conhecíamos quando formamos a  Xaraiês com a participação de outros músicos”, explica Marco, o principal compositor. Ricardo Maisato (baixo), Vlad (bateria) e Paola (vocal) completam a formação.

A música vencedora do festival dá uma pista da bandeira que a banda levanta. Assim como outras formações do reggae, a Xaraiês aposta em letras impregnadas de mensagens espirituais. Marco se apressa em explicar: “Não é uma letra defendendo uma religião, mas, sim, uma busca de coisas boas. Não falamos de nenhuma religião específica. Não seguimos os ensinamentos rastafári, por exemplo. Falamos mais de conscientização da espiritualidade”.

Covers
Além das composições próprias, o grupo também apresenta covers de nomes importantes do reggae, como Bob Marley e Leões de Israel. A intenção para o futuro é registrar as músicas em CD. “Participaremos de editais para conseguir financiar a gravação e o lançamento”, planeja Marco. Enquanto isto não acontece, a turma percorre o circuito musical  da Capital mostrando suas composições.
 

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