Quinta, 22 de Fevereiro de 2018

marco maia

'O PT não é mais só do Centro e do Sul'

19 DEZ 2010Por ESTADÃO01h:44

Apontado como azarão na indicação da bancada do PT para presidir a Câmara, o deputado Marco Maia (RS) avisa a seus críticos: "Não sou marinheiro de primeira viagem que esteja suscetível a lobbies ou a posicionamentos que não sejam republicanos". O petista rebate críticas dos colegas de que não teria pulso nem estatura política para comandar a Casa. Em entrevista ao Estado, considera que os deputados cometeram erros na elaboração da Lei da Ficha Limpa, ao retroagir punições.

 

Como o sr. articulou sua vitória contra os favoritos do PT?

É um erro afirmar que havia um favorito. Eu trabalhei. Conversei com todos os deputados, apresentei as razões pela quais eu achava que poderia disputar. Nunca podemos desconsiderar também no PT suas correntes políticas. O PT tem hoje uma construção regional forte, não é mais partido do centro ou do sul do País. Nestas eleições se fortaleceu no Nordeste. É óbvio que isso também influencia.

O sr. reconhece que havia insatisfações na formação do governo que foram canalizadas para sua candidatura?

Não é uma coisa verdadeira. A decisão da bancada acabou acontecendo no meio do debate sobre a composição do governo de Dilma Rousseff. Portanto, passou essa imagem de que as coisas estavam conectadas.

O PT saiu dividido?

De forma alguma. O PT acumulou nesses últimos anos maturidade para saber que as disputas internas são naturais e legítimas. Depois de construída uma decisão, ela é do partido.

O fato de Cândido Vaccarezza (líder do governo) ter apoio da cúpula do PT não trará reflexos?

Não havia um posicionamento do governo. Muito menos das lideranças ou dos expoentes do governo. A posição de Dilma era a de não se envolver na disputa. Houve sim, talvez, a tentativa de alguns passarem a ideia de que o governo o estava apoiando, pensando que isso talvez pudesse influenciar.

Há um movimento na Câmara por candidaturas alternativas a sua. Como enfrentará isso?

É natural e legítimo. Faz parte do processo democrático. Estamos numa fase de negociações inclusive sobre a composição da Mesa Diretora.

Os partidos aliados ao PT, o bloquinho (PC do B, PSB e PDT), se sentem escanteados com a divisão do comando da Câmara entre os petistas e o PMDB.

É legítima e pertinente a reclamação. Nós precisamos encontrar um caminho de mais diálogo. São partidos identificados conosco ideologicamente. Vou me esforçar para superar esse clima. É óbvio que nós precisamos levar sempre em consideração que o PMDB tem a segunda maior bancada.

Há muitas críticas ao seu nome, que o apontam como fraco e sem postura para dirigir a Casa. Como o sr. responde a isso?

É uma avaliação equivocada. Estamos aqui num lugar onde as coisas precisam e devem ser resolvidas no debate. Já passou o tempo em que as coisas eram construídas a ponta de faca.

Uma das críticas é que o senhor seria suscetível a lobbies.

É tentativa de minar minha candidatura. Ninguém dá chute em cachorro morto. Estou há mais de 30 anos na militância política. Já enfrentei a relatoria de uma CPI pesadíssima na Câmara (do Apagão Aéreo). Não sou um marinheiro de primeira viagem que esteja suscetível a lobbies ou a posicionamentos que não sejam republicanos.

O senhor vai colocar na pauta o aumento dos servidores do Judiciário, o piso nacional dos policiais (PEC 300) e o aumento salarial dos ministros do Supremo?

Tudo aquilo que houver acordo de líderes, e for construído consenso para votação na Câmara, será incluído na pauta.

A Lei da Ficha Limpa cumpriu o papel nestas eleições?

No momento em que a lei criou regras que atingem retroativamente, ela trouxe insegurança. Como eu vou punir alguém agora por ter tomado uma decisão lá trás quando ainda não existia essa lei? Erramos quando não discutimos com mais profundidade a lei.

A definição do aumento dos deputados facilita sua eleição, já que é um problema a menos?

Isso não tem relação nenhuma com o processo eleitoral em si. Havia um anseio por parte dos deputados em relação à equiparação dos salários do Legislativo com o Executivo e o Judiciário. Mas, na hora de o deputado definir a sua opinião sobre quem deve conduzir a Câmara, vai pesar as propostas e o que cada um está propondo.



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