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comunicação

O portunhol selvagem vem conquistando vários adeptos por toda a América Latina

23 MAI 2011Por almanaque brasil17h:54

“¡Hay llegada la hora de la ternura caliente invadiendo korazones y korazones!” Se você acha que essa frase está em espanhol, errou. Se achou que é portunhol, quase acertou. Na verdade, é um trecho do manifesto em favor do portunhol selvagem, assinado por escritores e artistas em 2008. A “língua” é falada sem muitas regras por moradores próximos às fronteiras do Brasil com os vizinhos hispânicos, principalmente o Paraguai. No portunhol selvagem ainda cabem o guarani e o inglês. Tudo misturado.

Um dos entusiastas da novidade é o jornalista Xico Sá, que lançou dois romances em portunhol selvagem: Caballeros Solitários Rumo ao Sol Poente e La Mujer És Un Gluebo da Muerte. O escritor também é figura constante em encontros de simpatizantes do, digamos, dialeto.

O dono da ideia de usar o espanhol selvagem na literatura é o poeta Douglas Diegues, que cunhou o termo e, em 2003, lançou o livro Dá Gusto Andar Desnudo por Estas Selvas. Diegues é carioca radicado na sul-mato-grossense Ponta Porã, cidade na fronteira com o Paraguai. Ele se fascinou com o modo de falar daquelas bandas. Mas a novidade realmente pegou num encontro em 2007, no qual foi discutido o novo movimento literário.

A repercussão foi imediata. O “idioma” angariou novos simpatizantes, como o ator mexicano Gael García Bernal. Houve reportagens em veículos espanhóis e no New York Times. Até o Estadão rompeu com o manual de redação e escreveu a primeira reportagem em portunhol, sob o título Hablando Sério. “Quero transformar o portunhol da fronteira numa língua literária tanto quanto qualquer língua”, afirma Diegues. ¿Quien sabe?

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