Quarta, 21 de Fevereiro de 2018

MÚSICA

O pocket-show de Amy Winehouse

15 JAN 2011Por ESTADÃO14h:00

Com o nome inscrito no verde de uma réplica da bandeira brasileira, Amy Winehouse faz hoje em São Paulo o quinto e último show de sua breve turnê. O escândalo de sua estreia no Brasil não foi (até ontem) nenhuma bebedeira ou barraco, mas o valor do cachê - considerado um disparate, principalmente em relação a seu desempenho e ao tempo de expediente no palco. Segundo especulou o tabloide inglês The Sun, ela teria recebido 5 milhões de libras (o equivalente a R$ 13 milhões) por esses que podem ser considerados pocket-shows ou ensaios.

Das 18 músicas do roteiro (que se repetiu em Floripa, Rio e Recife e não deve mudar hoje), Amy participa de 14 como vocalista, mas cantar mesmo que é bom, só em três ou quatro. Pelo menos foi o que viu o público de mais de 10 mil pessoas que lotou o Stage Music Park, na capital catarinense. A gente que esperava ver uma vigorosa Cássia Eller encontrou uma Céu - vagaroooosa...

O show começa bem com a banda tocando o convidativo tema de abertura (um dos dois covers de Little Anthony & The Imperials) para recebê-la. Amy canta as primeiras músicas meio acanhada e põe tudo para fora mesmo só em Boulevard of Broken Dreams, que não é a do Green Day, mas outra mais antiga (leia nesta página).

A partir daí, o show mergulha numa marola de baladas (seis na sequência), que a maioria do público desconhece - como os covers de The Flamingos, Little Anthony e Jeff Buckley - e desanda. São belas canções, mas não funcionam para multidões que esperavam mais catarse de sua voz potente, como It"s My Party, hit de 1962 que regravou em 2010 num tributo a Quincy Jones.

Mesmo estática, em sua condição de mito moderno precoce, Amy magnetiza olhares e ouvidos. Mas o show não engrena, ela deixa o palco várias vezes saltitando, lê e erra letras - como foi o caso de Rehab em Floripa - coça o nariz, conversa com os músicos e se diverte mais do que qualquer um dos fãs. Depois de mais uma saída brusca, volta para o bis e arrasa nos covers redentores de You"re Wondering Now e Valerie. Mas já é tarde. Amy também frustrou os cariocas, mas há fãs paulistanos otimistas, acreditando que ela tenha se poupado para dar tudo de si aqui. Então tá.

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