quinta, 19 de julho de 2018

Balé

“O pássaro azul” ganha o palco

22 NOV 2010Por OSCAR ROCHA00h:00

O belga Maurice Maeterlinck (1862/1949) talvez nem sonhasse que uma das suas obras, escrita em 1908, fosse abraçada com afinco pelas gerações posteriores. “O pássaro azul”, desde que chegou às livrarias, mostrou-se inspiradora, não somente para os   leitores, mas para os diretores de cinema e animadores de desenho animado. São várias versões que a criação ganhou ao longo dos anos. O cinema foi quem mais revisitou a trama. Duas se tornaram as mais lembradas, não somente pela história, como pelos profissionais envolvidos na realização. Em 1940, Shirley Temple, que na infância se tornou uma referência de criança nas telas, estrelou uma versão. Em 1976, Elizabeth Taylor e Jane Fonda foram outras que reviveram a história.

Agora, um grupo de dança de Campo Grande mostrará a sua leitura, num balé completo baseado na obra. “Quando era criança assisti aos filmes baseados  em ‘O pássaro azul’. Depois, minha professora de balé fez uma coreografia inspirada na história. Foi tão marcante para mim, que durante alguns anos quis também adaptar essa história para o palco com coreografias inspiradas na situação vivida pelos personagens”, explica a coreógrafa e professora de dança Cibele Rodrigues. O resultado poderá ser conhecido hoje, às 19h, no Teatro Glauce Rocha.

Cibele atua no Projeto Viver Bem, atualmente também Ponto de Cultura, que oferece iniciação e desenvolvimento artístico para crianças e adolescentes da região do Nova Lima. “Anualmente, abrimos vagas para os interessados. Então, no espetáculo reunimos desde os mais novos até os veteranos do projeto, que existe há 12 anos”.
Esta será a terceira vez que um espetáculo montado pelo projeto chega ao palco do Teatro Glauce Rocha. Anteriormente, as apresentações de encerramento anual aconteciam na própria comunidade.  Em 2009, a montagem destacada foi “É Natal sob o céu do Pantanal”. Em 2008, o espetáculo foi “A boda da princesa”. “Conseguimos chegar ao teatro com o apoio de várias empresas e entidades que acreditaram em nosso trabalho”.

Pesquisa para obra completa
Cibele explica que desde o início do ano inicia o trabalho de pesquisa. No caso do “O pássaro azul”, que recebeu um acréscimo ao título original – “Em busca da felicidade”, ela precisou assistir às várias obras cinematográficas e ainda conhecer o desenho animado japonês feito na década de 1980. “O que fizemos foi utilizar como referência os filmes, que, por sinal, apresentam diferenças em suas obordagens”, conta. A história gira em torno de uma menina que não se sente satisfeita com sua realidade,  acha que não tem conforto e bens materiais suficientes para ser feliz. Por meio de uma fada, sai de casa em busca do que acha ser a felicidade. No caminho, ao encontrar vários personagens,  perceberá que é nas pequenas coisas que encontrará  o que procura.

A encenação é dividida em 7 atos, cada um recebendo uma coreografia especial feita pela própria Cibele, além de Selma Azambuja, Devanir Santana e Marinês Santana. “Não há nenhum balé que apresente o livro como tema. Há algumas coreografias, mas não um balé inteiro”. Por causa disso, a equipe de produção precisou encontrar trilha sonora específica para a montagem. “Não podíamos utilizar músicas de balés conhecidos. Fizemos um levantamento e procuramos temas eruditos, não tão comuns em coreografias”. A montagem tem cerca de uma hora de duração e dela participam 78 alunos no balé, 42 na orquestra (metade destes músicos também participa do balé) e 8 do teatro musical (coral).

Orquestra Jovem se apresenta no evento
Além do balé, o público poderá conhecer outras atividades realizadas pelo projeto. Trata-se da Orquestra Viver Bem, que há 3 anos oferece oportunidade de aprendizagem musical para crianças e adolecentes, entre 8 e 18 anos. “O maior número de integrantes está na fase dos 10 aos 13 anos”, explica o professor e um dos coordenadores da parte musical, Jardel Vinicius Tartari.

Na avaliação dele, um dos principais chamarizes para o orquestra, que se apresenta regularmente em vários pontos da Capital, é a qualidade musical de vários integrantes, que, mesmo com pouca idade, mostram domínio instrumental. “Acho que o futuro da música de concerto em nossa cidade passa por estes jovens instrumentistas. Há outras iniciativas também sendo desenvolvidas, mas, com certeza, esses jovens têm muito a oferecer”, aponta o professor.

Atualmente, 30 integrantes recebem orientação, duas vezes por semana, na execução de violino, violoncelo, viola clássica e violão. Há ainda o coral com 15 integrantes. Recentemente, quando da passagem pela Capital em concerto, o renomado pianista e regente João Carlos Martins foi conhecer o projeto e elogiou a maneira como está se desenvolvendo o trabalho com os jovens. “Ele adorou o projeto e se prontificou a apoiar, conforme sua agenda, a orquestra”, destacou Jardel.

No repertório de hoje poderão ser ouvidos temas regionais, além de sucessos  do cinema e dos musicais. “Temos um repertório eclético, que faz com que a orquestra seja chamada para vários tipos de eventos em Campo Grande”.

Serviço
Apresentação do balé “O pássaro azul – em busca da felicidade” e da Orquestra Viver Bem, hoje, às 19h, Teatro Glauce Rocha. Entrada franca.

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