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segunda, 18 de fevereiro de 2019 - 19h34min

O pão maldito

30 JUN 10 - 07h:33
Em 1951, a pequena cidade francesa de Pont-Saint-Esprit – na época com 4,5 mil habitantes (hoje tem 10 mil) – viveu drama surrealista: um surto coletivo em que mais de 300 pessoas tiveram alucinações, 50 foram internadas em clínicas psiquiátricas e sete morreram ao comerem pão contaminado. Conforme depoimento de moradores mais antigos do vilarejo, era comum, na ocasião, ver pessoas saírem nuas à rua imitando cachorro, ou ficarem seis meses internadas num hospital psiquiátrico porque viam fogo por tudo, ou o pai que teve alucinações com uma orquestra, etc. Na ocasião, os moradores culparam pelo surto a farinha de trigo utilizada na produção do pão por uma padaria do lugar – a Briand – que, por sinal, teve que fechar suas portas alguns meses após o terrível incidente. Mas a verdadeira versão dos fatos pode ser outra. (Lúcia Müzell/Notícias Terra,01/04/2010).

Todo esse insólito episódio estaria fadado ao esquecimento se não fosse a publicação recente (2009) do livro do jornalista e escritor americano, Hank Albarelli Jr., intitulado,“Terrible Mistake”, ainda sem tradução para o português, e que breve se transformará em filme. Nele, ao investigar o misterioso assassinato do bioquímico da CIA, Frank Olson, em 1953, o autor descobriu que há uma forte ligação entre a morte do cientista americano e o lendário “caso do pão maldito” francês. Com base nisso, ele concluiu que o famoso episódio na pequena cidade francesa pode ter sido provocado deliberadamente pela agência de inteligência americana, que em plena “Guerra Fria” queria conhecer melhor os efeitos da recém-descoberta droga LSD sobre a mente humana.   
Em entrevista concedida ao site Terra (Lúcia Müzzel, 01/04/2010), Albarelli Jr. explica porque está tão certo da responsabilidade da CIA pelo surto de loucura em Point-Saint-Esprit: (...) “Havia duas bases americanas próximas àquela pequena cidade da França e a necessidade de se escolher uma cidade para a experimentação do LSD. E ela foi a escolhida”.(...) “Há relatórios que fazem menção ao fato de que a cidade era politicamente à esquerda, o que nos anos 50, plena Guerra Fria, não era bem visto pelos americanos, mas não sei se esse foi realmente o caso”. E como o LSD foi espalhado na cidade? (...) “Há uma série de documentos que falam em disseminar o produto na água ou em produtos alimentícios. Eu suponho que tenha sido através do pão, porque não há produto mais comum e que todo mundo consuma”. E por que uma padaria específica? (...) “Eu soube que a maior parte do pão contaminado saiu de uma padaria específica, e no início se acreditou numa contaminação por um fungo na farinha utilizada nesta padaria. Mas depois cientistas provaram que os efeitos não teriam sido os mesmos dos verificados nas pessoas atingidas. A CIA pode perfeitamente ter colocado o LSD na matéria-prima desta padaria”.

A mais contundente revelação feita pelo jornalista americano, porém, é quando ele diz que “não é coincidência o fato de que na semana seguinte ao incidente apareceram na pequena cidade francesa cientistas do laboratório suíço que tinha fornecido LSD para as experiências da CIA naquele ano, o Sandoz, responsável pela descoberta do LSD, em 1943”. “Eles não contaram nada disso para ninguém, eles mentiram sobre isso, porque sabiam o que estava acontecendo. Estavam suprindo a CIA e o Exército americano de LSD de 1949 até 1951, e depois retornaram com o fornecimento até 1953, quando os Estados Unidos decidiram contratar uma companhia farmacêutica americana (Eli Lilly) para produzir o LSD. O fato é que o Sandoz foi investigar o que aconteceu e eles foram uns dos que disseram que as pessoas tinham sido infectadas por veneno, mas eles sabiam que não era”. E conclui Albarelli Jr.: “As pessoas da cidade parecem acreditar que nunca vai se saber a real razão daquele surto. Eu acho que nós já sabemos”.

O desvendamento de casos como o do “pão maldito”, na pequena cidade francesa de Pont-Saint-Esprit, mesmo que tenha ocorrido ao acaso e tardiamente (59 anos depois!), é extremamente significativo por duas razões principais: primeiro, porque restabelece a verdade dos fatos e permite mesmo que simbolicamente (“in memorian”), a punição dos culpados pela morte e desequilíbrio mental de tantas pessoas inocentes. Depois, porque estimula a busca da verdade em outros acontecimentos históricos, que muitas vezes são apresentados à sociedade de forma não convincente ou até mesmo mentirosa! Qual seria, por exemplo, o desfecho do famoso caso da Escola de Base em São Paulo, se a verdade, mesmo que tardia, não viesse à tona? O que aconteceu de fato na morte de Ulisses Guimarães? E na de João Goulart na Argentina? Onde está a verdade no caso Motel? E no caso Semy Ferraz (“Operação Vintém”)?
E já que o momento é de Copa do Mundo de Futebol 2010, na África do Sul, que tal pesquisar as razões que levaram a delegação francesa, inclusive os jogadores, a surtarem na primeira fase do campeonato mundial em campos africanos? Será que o Zidane tem algo a ver com isso? Ou será que colocaram alguma substância estranha no pão deles? Que tal chamar o Sherlock Holmes para desvendar o mistério, hein?

 Hermano de Melo, Professor, Escritor e Acadêmico de Jornalismo
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